Estadão – A Linha 17-Ouro do Metrô, na zona sul de São Paulo, que chegará até o Aeroporto de Congonhas, está prevista para ser inaugurada em 30 de março.
Prometida para a Copa do Mundo de 2014, a linha será a segunda na capital paulista a usar a tecnologia de monotrilho. Após críticas à Linha 15-Prata, pioneira no modal, a Linha 17 promete trazer inovações que garantam uma experiência mais confortável, sem o chacoalhar que marcou o modelo anterior.
O trem da Linha 17 também se destaca por ser o primeiro no País com bateria, similar aos carros elétricos. O equipamento promete levar o monotrilho de uma ponta a outra da linha mesmo em caso de apagão — cenário frequente na capital paulista.
As notícias estão em todo lugar. Reportagens e entrevistas exclusivas sobre o setor ferroviário, só na RF — desde 1940.
Por R$ 8,42/mês — parcele em 12x sem juros.
Outra novidade será o trajeto em Y, que alternará a estação final: ora o desembarque será em Congonhas, ora na Washington Luís.
Bateria reserva
O monotrilho é movido a eletricidade. A energia que o impulsiona é proveniente da rede elétrica e chega aos trens por meio de barras de alumínio condutoras fixadas na lateral da estrutura de concreto em que ele se sustenta.
Em caso de apagão, o veículo construído pela BYD — o primeiro da marca chinesa no Brasil — carrega baterias reserva.
“A BYD nasceu como fabricante de baterias. Então, nosso monotrilho precisava ter bateria também. É um sistema híbrido, energia e bateria, como são os nossos carros”, diz Alexandre Barbosa, diretor técnico da BYD Skyrail, monotrilho da marca.
A companhia assegura que as baterias transportam o veículo por ao menos 8 km. É o suficiente para ir de um extremo ao outro da Linha 17, que tem 6,7 km com suas oito estações. “Ele consegue sair do Morumbi e chegar até Congonhas só com a bateria”, completa Barbosa.
O diretor de Engenharia e Planejamento do Metrô, Roberto Torres Rodrigues, afirma que, durante os testes, a autonomia foi ainda maior. “Nos ensaios, com o monotrilho carregado de sacos de areia para simular o peso dos passageiros, chegou a 13 km.”
A bateria foi vital para não atrasar novamente a entrega do monotrilho, cuja inauguração em março é prometida pelo Metrô desde agosto do ano passado. Muitos dos testes de segurança com os veículos foram feitos com a energia reserva, pelo fato de a rede elétrica, na época, ainda estar em fase de implementação. Sem ela, as simulações teriam demorado para ocorrer, o que provocaria um novo atraso.
Apesar da bateria, o Metrô destaca que toda estação da Linha 17-Ouro tem um gerador a diesel com autonomia mínima de 3 horas, além de um sistema nobreak, que também funciona como uma bateria reserva.
Percurso em Y
Comum em metrôs na Europa, a exemplo de Paris, na França, o percurso da linha será em Y. A estação final vai variar entre o Aeroporto de Congonhas e a estação Washington Luís. Os passageiros precisarão prestar atenção nas telas e avisos sonoros para chegar ao destino correto.
“Por exemplo, a cada dois trens para o aeroporto, um vai para a Washington Luís. Vamos controlar isso de acordo com a demanda de passageiros”, afirma Rodrigues, do Metrô.
A frequência exata de circulação para cada um dos destinos ainda não foi definida — e pode variar conforme o horário do dia. Se a demanda para o aeroporto for maior durante o fim de semana, por exemplo, pode haver mais trens para lá neste período.
Sistema para evitar chacoalhadas da Linha 15-Prata
O primeiro monotrilho de São Paulo, a Linha 15-Prata, na zona leste, registrou uma série de falhas nos últimos anos, como colisão entre trens e queda de peças de concreto na rua. Passageiros também reclamam de trepidação e solavancos no percurso.
“O aprendizado de uma linha sempre é levado para outra. Além disso, são projetos diferentes, de contratadas diferentes, de fornecedores diferentes”, diz Rodrigues, diretor do Metrô. A estatal é responsável por ambas as linhas e ressalta que as duas são seguras.
Uma das melhorias para a 17 visa a justamente evitar o tremor. O novo sistema de amortecimento, equipado com bolsas de ar, promete mais suavidade.
“O trem da 15 chacoalhava muito por causa de um problema na via e pelo tipo de suspensão dos trens. Nossa suspensão dá mais estabilidade”, afirma Barbosa, da BYD.
Trem teve de ser adaptado após empresa falir
A empresa inicialmente contratada para fornecer os veículos, a Scomi, da Malásia, faliu antes de entregar os trens. Mas as estruturas das vigas já tinham sido construídas para os veículos da marca e monotrilhos de outras empresas teriam tamanhos diferentes. A reportagem não conseguiu contato com a Scomi.
A BYD foi contratada, mas teve de adaptar seu monotrilho para caber nas vigas para a Scomi.
“Tivemos de criar uma linha de teste na China, com os moldes da Linha 17, para conseguirmos adaptar o nosso trem. Gastamos horas e horas de engenharia. Fizemos inúmeros testes”, diz Barbosa.
Ele afirma que o trem da BYD é maior que o da Scomi, enquanto a viga chinesa é mais estreita que a da empresa anterior. “Sem essa solução tecnológica, a Linha 17-Ouro seria desafiadora.”
“Basicamente, é um trem único no mundo”, define Rodrigues. Mesmo na China, os monotrilhos da BYD têm formatos diferentes.
Vagão menor e capacidade pequena
Essa diferença também fez com que os trens da Linha 17 sejam menores, com comprimento de cerca de 60 metros. Para comparação, o monotrilho da 15 mede aproximadamente 90 metros e um metrô convencional, em torno de 130 metros.
Isso fez com que a capacidade da Linha Ouro (93 mil passageiros por dia) fosse menor que a da Prata (550 mil/dia).
Não há trilhos
O monotrilho não anda sobre trilhos de ferro, mas sobre pneus de borracha, que se apoiam em vigas de concreto. Não há trilhos de ferro, como no Metrô ou na CPTM.
É dessa viga única que surgiu o nome monotrilho (único trilho).
Os pneus que ficam sobre a viga sustentam o peso do trem. Também há pneus que ficam “agarrados” às laterais, para dar estabilidade, chamados de pneus guia.
Porta secreta para reboque
O compartimento na frente do trem (o “bico”) se abre para permitir o engate com outro monotrilho em caso de algum problema que exija reboque. É como uma porta secreta, onde fica escondido um braço mecânico para o procedimento.
Pátio sobre piscinão
O pátio de manutenção e estacionamento dos trens fica sobre o Piscinão Água Espraiada, na Avenida Jornalista Roberto Marinho, entre as avenidas Washington Luís e Dr. Lino de Moraes Leme.
“Normalmente, os pátios são construídos em áreas extremamente grandes, que às vezes precisam ser desapropriadas. No caso da Linha 17, a gente aproveitou para fazer o pátio em cima dessa grande laje que é o piscinão”, explica Rodrigues.
O pátio foi feito para acomodar mais de 20 monotrilhos. É um edifício de dois andares, onde, em uma parte, funciona o estacionamento e, em outra, a área de manutenção.
“A quantidade de vias dentro de um pátio de manutenção é quase a extensão completa de uma linha. Aqui, são mais de 6 km de via, enquanto a Linha 17 tem 6,7 km”, conta o diretor do Metrô.
Além disso, também fica no prédio o Centro de Operações da 17, onde o trem é operado.
Sem piloto
O monotrilho é comandado de forma remota, diretamente do Centro de Operações, assim como na Linha 4-Amarela e na Linha 6-Lilás. Há uma sala onde os funcionários acompanham diversas TVs, monitoram todo o sistema e verificam o andamento das viagens e eventuais irregularidades.
Em caso de emergência, há um posto de controle manual dentro do monotrilho, que fica no primeiro vagão. “O sistema de sinalização faz tudo sozinho. É só numa condição de anormalidade que o operador pilota o trem”, afirma Rodrigues.
Segundo o diretor do Metrô, porém, a operação deve começar com um piloto para realizar a condução manual. “Primeiro, precisamos testar todas as condições de segurança, amadurecer o sistema para, aí sim, gradativamente fazer a retirada do operador de trem”, diz Rodrigues.
Túnel até o Aeroporto
A Estação Congonhas fica do outro lado da Avenida Washington Luís em relação ao aeroporto. Para que os passageiros não precisassem atravessar a via movimentada pela faixa de pedestres, foi construído um túnel que dá acesso à entrada do terminal de voos.
“Você vai percorrer a travessia sob a Washington Luís e já sair no saguão do aeroporto. Esse é um grande diferencial em comparação com a Linha 13-Jade, da CPTM, que não deixa o passageiro dentro do Aeroporto de Guarulhos”, diz Rodrigues.
Desde o ano passado, as paredes de Congonhas já anunciam a chegada da Linha 17-Ouro, com adesivos colados nas portas entre a saída da estação e a entrada do aeroporto.
Seja o primeiro a comentar