Valor Econômico – A chilena Arauco decidiu bancar uma shortline (linha curta) ferroviária para o escoamento de sua celulose. A linha entrará em operação junto com a primeira fábrica da commodity da empresa no Brasil, chamada de Projeto Sucuriú, em Inocência (MS), no fim 2027.
Os investimentos, só para a ferrovia, somam R$ 2,4 bilhões. Serão 26 locomotivas e 721 vagões para transportar até 9, 6 mil toneladas por composição. A pedra fundamental foi lançada em fevereiro passado e a linha férrea terá cerca de 45 quilômetros. Ligará a unidade industrial à Malha Norte da Rumo Logística, que por sua vez levará o produto ao porto de Santos, para exportação.
A shortline da Arauco é uma ferrovia que nasce no modelo autorizativo, criado com o Marco Regulatório das Ferrovias, de 2021. Nesse modelo, a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) autoriza a iniciativa privada a tocar a empreitada — construir e operar, com recursos próprios —, gerando maior competitividade, desburocratização e estímulo a novos investimentos.
As notícias estão em todo lugar. Reportagens e entrevistas exclusivas sobre o setor ferroviário, só na RF — desde 1940.
Por R$ 8,42/mês — parcele em 12x sem juros.
Alberto Pagano, diretor de logística e suprimentos da Arauco, diz que as operações ferroviárias foram dimensionadas para se adaptarem ao volume de produção da fábrica e que o projeto recebeu benefícios tributários, “alinhado aos investimentos em infraestrutura”, para aquisição do material rodante.
Segundo o executivo, a autorização ferroviária prevê a possibilidade do transporte de cargas e passageiros. “Porém, até o momento, não há discussões em andamento sobre o transporte de outras commodities até a Malha Norte da Rumo”, observa. O que a Arauco vem estudando, acrescenta ele, é a chegada de insumos e de matéria-prima até a fábrica pela ferrovia, como madeira, químicos e combustíveis.
A nova ferrovia, diz a empresa, permitirá reduzir em até 94% as emissões de CO2, eliminando aproximadamente 190 viagens por dia de caminhões das rodovias. Já a unidade industrial produtora de celulose está exigindo aportes de US$ 4,6 bilhões.
A capacidade produtiva será de 3,5 milhões de toneladas de fibra curta de celulose por ano. Tanto a fábrica como a shortline são bem-vindas pela Rumo. “O projeto é relevante porque conecta uma nova origem industrial de grande escala à Malha Norte da Rumo, ampliando a conexão logística da celulose até o porto de Santos”, observa Natália Marcassa, vice-presidente de regulatório, institucional e comunicação da Rumo.
Para ela, quando um novo polo industrial como Inocência se conecta à Malha Norte, isso reforça o papel da ferrovia em fluxos de longo prazo. “A logística ferroviária é fundamental para a competitividade e a sustentabilidade da cadeia produtiva da celulose no mercado global”, afirma.
Seja o primeiro a comentar