Valor Econômico – O consórcio Nove de Julho — formado pelas chinesas Yellow River (da Power China) e Highland, além da Mendes Júnior — entrou na Justiça contra uma decisão do Metrô de São Paulo que inabilitou o grupo na licitação para a construção da Linha 19.
O grupo havia apresentado o melhor preço pelo Lote 1 da obra, com uma oferta de R$ 4,98 bilhões, porém, foi desclassificado na semana passada, após questionamentos da segunda colocada, um consórcio da Agis, OHLA e Cetenco, que deu proposta de R$ 5,01 bilhões.
O recurso administrativo, que foi acolhido pelo Metrô, questionou a habilitação técnica dos chineses e afirmou que o consórcio não atendeu aos requisitos do edital.
As notícias estão em todo lugar. Reportagens e entrevistas exclusivas sobre o setor ferroviário, só na RF — desde 1940.
Por R$ 8,42/mês — parcele em 12x sem juros.
O principal problema apontado foi a falta de comprovação técnica do consórcio dos chineses. O edital exigia, entre outros requisitos, que o grupo tivesse experiência na construção de um túnel com características específicas e dentro de uma área urbana.
Este último aspecto foi determinante para a desclassificação, dado que o projeto usado para comprovar a expertise, segundo o Metrô, não estaria inserido em um ambiente urbano — definido no edital pela existência de edificações contínuas e pela presença concomitante de outras infraestruturas urbanas.
Os chineses chegaram a apresentar contrarrazões no processo, mas os argumentos não foram acolhidos.
O recurso do segundo colocado também trazia outros questionamentos, mas o Metrô não viu mérito dos demais pontos.
Procurado, o Metrô de São Paulo disse que “aguarda a avaliação do pedido de liminar pelo Poder Judiciário”. Em relação à inabilitação do consórcio, a empresa diz que “a decisão, que ocorreu dentro da fase de recurso, se dá em razão da desconformidade da documentação de qualificação técnica, não atendendo a requisitos do edital” e que o grupo “com a segunda melhor proposta financeira será convocado para apresentar a documentação de habilitação para análise”.
A reportagem tentou contato com o consórcio Nove de Julho na segunda-feira (2) a respeito do tema, mas não teve retorno.
A licitação da Linha 19 do Metrô tem mobilizado o mercado de construção, por seu grande porte — no total, deverá chegar a cerca de R$ 20 bilhões. A obra foi dividida em três lotes. Além do Lote 1, alvo da disputa judicial, os Lotes 2 e 3 foram vencidos pelo consórcio Via Celeste, formado pela OEC (Odebrecht), a Álya (Queiroz Galvão) e a Ghella.
VÁ ALÉM DA MANCHETE
O setor ferroviário é complexo e as notícias do dia a dia são apenas a ponta do iceberg. Para entender o cenário completo, é preciso de contexto e a visão de quem cobre o setor desde 1940.
A cada edição, a Revista Ferroviária traz reportagens aprofundadas, estudos de mercado e entrevistas exclusivas sobre os temas que realmente importam: de novos VLTs e projetos privados a desafios de manutenção, o futuro da tecnologia e muito mais.
Seja o primeiro a comentar