A CCR, que tem entre seus controladores a Camargo Corrêa e a
Andrade Gutierrez, assumiu a dianteira na disputa pela Invepar. Na proposta que
está sobre a mesa, a concessionária carioca seria incorporada pela concorrente
mediante operação que combinaria troca de ações e injeção de capital. Com isso,
segundo fontes a par das negociações, os fundos de pensão Previ (de
funcionários do Banco do Brasil), Funcef (Caixa Econômica Federal) e Petros
(Petrobras), que hoje tem 25% na Invepar cada, passariam a ser sócios da CCR. A
empresa precisa de cerca de R$ 800 milhões para resolver seus problemas de
caixa.
As conversas com a CCR se intensificaram nas últimas
semanas. Uma das vantagens da operação apontadas por pessoas que acompanham as
discussões seria dar mais liquidez às ações em poder dos fundos, uma vez que a
CCR já está na Bolsa. A fatia de 25% da Invepar que era da OAS e que hoje está
nas mãos de credores da empresa — a empreiteira está em recuperação judicial —
poderia entrar na troca de ações ou ser vendida à CCR.
Na proposta concorrente do fundo árabe Mubadala e da empresa
de infraestrutura francesa Vinci, a participação dos credores seria adquirida
integralmente, e os fundos seriam diluídos, já que seria feito um aporte pelo
consórcio na Invepar. Neste caso, o passo seguinte seria abrir o capital da
Invepar, um caminho mais lento para que os fundos pudessem ter liberdade de
negociar seus papeis na Bolsa.
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— A principal diferença das duas propostas é a velocidade do
acesso ao mercado de capitais. Mas o que vai definir o vencedor nessa disputa é
a avaliação que cada um faz da Invepar — disse uma fonte com conhecimento do
assunto.
PREJUÍZO MILIONÁRIO
A Invepar tem 11 concessões, entre elas o Metrô Rio, a Linha
Amarela e o aeroporto de Guarulhos. O tempo médio que ainda resta das
concessões é de 22 anos. Já a CCR tem concessões mais antigas. Duas delas —
Nova Dutra, que administra o trecho da BR-116 que liga o Rio a São Paulo, e
Rodonorte, que administra rodovias no Paraná — vencem em 2021. Juntas, CCR e
Invepar teriam mais de 15 concessões rodoviárias, dois aeroportos, além de
atuação no segmento de mobilidade urbana.
Já o Mubadala herdou parte do espólio do grupo X numa
negociação para equacionar a dívida das empresas de Eike Batista. Entre os
ativos do fundo no Brasil está uma fatia de 48% do Porto Sudeste, em Itaguaí, o
hotel Glória e a empresa de entretenimento IMM (ex-IMX), que também era de
Eike. O fundo é dono ainda do Leblon Executive Tower, prédio de salas
comerciais, no qual passou a ocupar um segundo andar nas últimas semanas, com a
chegada de novos funcionários. A Vinci, por sua vez, venceu a licitação do
aeroporto de Salvador no início deste ano.
A Invepar acumula prejuízo de R$ 239 milhões até setembro,
segundo balanço divulgado na terça-feira passada. A empresa, vista como
promissora, se endividou para vencer leilões recentes na expectativa de que
faria uma oferta de ações para levantar R$ 3 bilhões e honrar os compromissos.
Com a crise econômica, no entanto, não conseguiu acessar o mercado de capitais.
A Lava Jato piorou a situação do grupo, ao colocar a OAS na mira das
investigações.
Procurados, Invepar, CCR e Mubadala não se manifestaram.
Funcef, Previ, Petros e OAS também não fizeram comentários. A Vinci não
retornou as ligações do GLOBO até o fechamento da edição.
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