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Nippon Steel diz querer solução para Usiminas

A Nippon Steel & Sumitomo Metal, que no Brasil faz parte do bloco de controle da Usiminas, decidiu trocar seu comando executivo nas Américas. Kazuhiro Egawa chega para o lugar antes ocupado por Yoichi Furuta e assume com um discurso forte de resolução do conflito com a Ternium, do grupo ítalo-argentino Techint, outra integrante da sociedade na siderúrgica mineira.


Em entrevista ao Valor, o novo diretor revelou que já se encontrou com conselheiros da Usiminas que votaram no fim de março pela destituição de Rômel de Souza e eleição de Sérgio Leite como presidente-executivo. Souza é preferido pela Nippon Steel no cargo e uma ação corre na Justiça mineira para reconduzi-lo ao posto.


De acordo com Egawa, Rita Rebelo, conselheira ligada à Previdência Usiminas – que também integra o bloco de controle da empresa -, e Luiz Carlos Miranda, membro do colegiado indicado pelos empregados, foram procurados e concordaram que a alternância é uma maneira sólida de encerrar o conflito. Conselheiros ligados a minoritários também foram procurados, acrescentou.


Além disso, ele garantiu que as conversas com a Ternium continuam para que um consenso seja atingido, mas não quis revelar o teor das negociações. “Meu papel é terminar o mais rápido possível essa disputa entre os acionistas, que é sem sentido, e colocar os interesses da Usiminas em primeiro lugar”, afirmou.

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Egawa até recentemente era diretor responsável por operações globais da Nippon Steel, sediado em Cingapura, e trocou de lugar com Furuta. Em março, o grupo japonês realizou mudanças no corpo executivo e de conselheiros, momento no qual Egawa foi escolhido como líder do “projeto Usiminas”.


“Ser enviado ao Brasil no ano de aniversário de 60 anos da solicitação de Juscelino Kubitschek [ex-presidente brasileiro] para o governo japonês e a Nippon Steel construírem uma siderúrgica no país mostra o laço forte entre Nippon e Usiminas”, declarou.


Na entrevista, o novo diretor para as Américas reforçou a posição tomada no fim do ano passado de que a melhor saída para a disputa com a Ternium é a alternância entre as duas companhias nas presidências executiva e do conselho de administração. Ele também rechaçou a contraoferta da Ternium, de incluir no acordo uma cláusula de resolução de conflitos, possivelmente com a saída de uma das partes.


“A alternância torna a cláusula de saída desnecessária”, opinou o diretor da Nippon Steel. “O outro lado poderia criar uma situação negativa e forçar a saída da outra parte. É uma proposta de quem deseja controlar a empresa para sempre e a Nippon Steel não quer o controle único da Usiminas.”


Mas o discurso sobre exigir que Souza fique na empresa parece ter suavizado. A Ternium já declarou que aceita a alternância, desde que o ex-presidente da Usiminas não volte, mas a Nippon Steel exigia a presença do executivo. “O que nós queremos é uma regra clara de alternância. Rômel foi destituído de forma ilegal e isso deve ser reparado, mas ainda não conversamos sobre nomes específicos”, afirmou Egawa.


Mesmo assim, a ação judicial segue em Minas Gerais para avaliar a decisão do conselho de retirar Souza – sem consenso prévio dos controladores, que é exigido no acordo de acionistas. de qualquer forma, a Nippon Steel também continua bastante elogiosa ao trabalho do ex-presidente.


“Os resultados do primeiro trimestre demonstram a qualidade e competência de Rômel, que retornou à companhia em outubro e saiu apenas no fim de março. É um bom presidente e que trabalha para o que é melhor para a Usiminas”, concluiu Egawa. “É o mineiro dentre os mineiros.”

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