Um investimento de R$ 80 milhões a R$ 100 milhões para ampliar a produção de aço da Usiminas é alvo de discussão na diretoria executiva da empresa há pelo menos seis meses. E, em alguns momentos, com desentendimentos entre os integrantes, que eram cinco até recentemente, e agora quatro. Isso levou à postergação da definição do projeto. Os diretores contrários à aprovação do investimento vêm alegando que a situação financeira da siderúrgica não estaria em condições de arcar com novos desembolsos, conforme apurou o Valor.
O investimento envolve a reforma de um alto-forno da usina de Ipatinga (MG) – o menor dos três existentes, o qual foi paralisado na crise de demanda de aço no país em 2015. Com a reativação, a Usiminas passaria a dispor de mais 800 mil toneladas de produto (placas) a partir do início de 2018, para quando se prevê um movimento mais consistente de retomada do mercado brasileiro.
Com isso, a siderúrgica ficaria com oferta de aço para atender o aumento de demanda interna que se projeta a partir do próximo ano. Caso contrário, terá de recorrer a compras de placas no mercado spot para transformação em produtos laminados em sua usina. A siderúrgica concorre no mercado de aços planos com a CSN, ArcelorMittal e Gerdau, além do material importado.
Segundo informações, o projeto foi discutido na diretoria – após estudos de viabilidade econômica – em novembro e proposto que a reforma fosse encaminhada ao conselho de administração da companhia para avaliação e aprovação. Mas não houve consenso, com três dos diretores contrários ao encaminhamento e dois favoráveis.
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Votaram a favor da retomada da unidade paralisada o então presidente, Romel de Souza, e Takahiro Mori, vice-presidente de planejamento corporativo. Alegando momento não oportuno, devido à situação de fluxo de caixa da empresa e que isso fosse feito junto com a aprovação do orçamento de 2017, se posicionaram contrários Sérgio Leite de Andrade -, presidente-executivo desde 23 de março e na época vice-presidente comercial -, Túlio Chipoletti, vice-presidente industrial, e Ronald Seckelmann, vice-presidente de finanças e de RI.
Em nota ao Valor, a siderúrgica mineira informou: “A Usiminas afirma que a diretoria executiva da companhia está coesa em relação à importância da retomada do Alto-Forno 1 da Usina de Ipatinga (MG) e que discute junto ao Conselho de Administração da empresa o melhor momento para o reacendimento do equipamento”.
Segundo informações obtidas pelo Valor, os estudos mostraram que a retomada do alto-forno tem retorno positivo, gerando ganhos para a companhia. Apontaram que o custo da tonelada do aço obtido do alto-forno reformado seria bem inferior ao de aquisição da placa no mercado.
Desde o ano passado, quando desativou as obsoletas áreas primárias da usina de Cubatão (SP), a Usiminas passou a comprar placa de fabricantes no mercado interno – de 100 mil a 120 mil toneladas ao mês. O principal fornecedor é a Companhia Siderúrgica do Atlântico (CSA), que fica em Santa Cruz, no Rio. Outro fornecedor, todavia, localizado mais distante, é a Companhia Siderúrgica de Pecém (CSP), do Ceará.
A CSA, até fevereiro, pertencia ao grupo alemão Thyssenkrupp. Foi vendida para a Ternium, empresa do grupo ítalo-argentino Techint, por R$ 4,9 bilhões. A operação ainda se encontra em fase de análise no Cade – órgão antitruste brasileiro. A CSP é controlada por Vale, Dongkuk e Posco.
Conforme informação de uma fonte, em janeiro a diretoria concordou – maioria dos votos – em somente fazer uma apresentação do projeto ao conselho, mas em caráter informativo, pois ainda não havia ocorrido a aprovação do orçamento de 2017 no colegiado. Não houve, todavia, sinal verde da diretoria para encaminhar o projeto à deliberação.
Outra fonte, no entanto, informou que havia sido encaminhado para apreciação dos conselheiros, mas que houve reprovação sob o argumento da situação financeira difícil da empresa. E que em março a diretoria levou outra vez para o colegiado, mas que a avaliação está prevista para ocorrer na reunião deste mês.
Com ou sem divergências, a decisão está pendente há seis meses. A reforma do equipamento, entre aprovação, preparativos para as obras, execução e retomada da produção só deverá ficar concluída por volta de abril, ou maio, do próximo ano.
No primeiro trimestre, a Usiminas voltou a gerar lucro líquido. Foram R$ 108 milhões, após exibir prejuízos desde o terceiro trimestre de 2014. A geração de caixa (Ebitda) superou R$ 500 milhões. Neste mês, está previsto entrar R$ 700 milhões no caixa da companhia, fruto de um acordo de liberação de recursos da controlada Mineração Usiminas (Musa) firmado em fevereiro com a sócia Sumitomo Corporation.
A Usiminas, desde janeiro de 2012, tem o controle societário compartilhado entre a Nippon Steel & Sumitomo e a Ternium-Techint. Os dois grupos firmaram um acordo de acionistas que vigora até 2031. O fundo de previdência da empresa também participa do bloco de controle. Desde 2013, os dois sócios controladores estão engalfinhados em uma disputa pela gestão da companhia. O caso já foi parar no Tribunal de Justiça várias vezes.
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