A fabricante de celulose Fibria está negociando com a
Embraport, terminal de uso privado no porto de Santos (SP), um contrato de
longo prazo para exportação de sua carga. O acordo envolve a construção da
extensão do cais do terminal e prevê ainda que os navios com o produto da
Fibria tenham prioridade de atracação no berço a ser construído na Embraport –
que tem como acionistas a Odebrecht Transport (OTP) e a DP World, de Dubai, nos
Emirados Árabes.
Uma das discussões neste momento gira em torno de quem fará
o investimento, que pode chegar à casa dos R$ 500 milhões, segundo estimativas
de mercado.
O modelo original prevê que a Fibria arque com o custo da
obra e amortize parte do investimento com descontos no pagamento ao terminal
pela movimentação de celulose. Mas também existe a possibilidade de os próprios
acionistas da Embraport assumirem os desembolsos.
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Se a negociação for fechada, a Fibria terá uma terceira
saída no porto de Santos, onde já tem duas áreas arrendadas para exportar sua
carga. A nova porta pelo cais santista integra a estratégia da Fibria de dar
mais competitividade logística ao escoamento de sua produção de celulose em
Três Lagoas (MS) e Jacareí (SP).
Do lado da Embraport, o benefício é garantir a movimentação
da celulose e a expansão – prevista desde a inauguração do terminal, em 2013,
mas que nunca saiu do papel.
Num cenário de alta competição no porto de Santos pela
movimentação de contêineres – principal negócio do terminal -, a Embraport
busca a diversificação de cargas para se manter ativa. A Fibria é uma das
maiores embarcadoras de cargas que vão soltas direto no porão do navio
(“breakbulk”, no jargão do setor) do país.
Contudo, nenhum contrato foi assinado até agora. O Valor
apurou que um dos pontos que pesam nas negociações é a indefinição do quadro
societário da Embraport. A OTP já decidiu sair do negócio e vender a fatia de
66,7% para a sócia DP World. Até agora, porém, a transação não foi assinada.
Com a perspectiva da Embraport ser assumida integralmente pela DP World, ganhou
força a possibilidade de a operadora mundial de portos participar com
desembolsos da ampliação do cais.
Procurada, a Fibria confirmou que está em discussões com a
Embraport e com outros operadores portuários “para um contrato de
prestação de serviços em Santos”, mas não deu detalhes sobre um eventual
investimento na infraestrutura do terminal.
“Por ainda estar em negociação e também no período de
silêncio pré-divulgação de resultados, a Fibria não irá se manifestar até a
conclusão das negociações e a eventual assinatura do contrato”, informou a
empresa, em nota.
A Embraport, por sua vez, destacou, também em nota, que
“está sempre atenta a novas oportunidades de negócio, porém, não comenta
rumores ou projetos que não estejam oficializados.”
Em encontro com jornalistas na fábrica de Três Lagoas na
semana passada, o diretor de Operações da Fibria, Aires Galhardo, explicou que
a atual estrutura logística de escoamento da produção da unidade, já
considerada a expansão, está se aproximando do limite.
A estrutura logística seria, inclusive, um entrave para
eventuais planos de nova expansão da fábrica de Três Lagoas, segundo Galhardo.
“Para instalação de outra planta em Mato Grosso do Sul, alguns pontos
ligados principalmente a logística precisam ser superados”, comentou.
Há algumas semanas, a fábrica produzia 1,3 milhão de
toneladas por ano. Com a entrada em operação da nova linha, de 1,95 milhão de
toneladas, passará a 3,25 milhões de toneladas por ano.
Para escoar a nova produção, a companhia investiu na
construção de um terminal intermodal em Aparecida do Taboado, ainda em Mato
Grosso do Sul, onde a carga chegará por rodovia. Do terminal, seguirá pela
ferrovia da Rumo até o porto paulista.
Em Santos, a Fibria opera um terminal arrendado em 1997 cujo
prazo terminou em setembro. A empresa obteve liminar na Justiça para ter o
direito de adaptar o contrato ao Decreto dos Portos, norma editada em maio. Se
for bem-sucedida, poderá solicitar, no âmbito do novo marco regulatório dos
portos, a prorrogação do prazo do arrendamento até o limite de 70 anos,
descontado o período já explorado de 20 anos.
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