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Vale deve pagar salário por um ano, diz Argentina

O governo da Argentina quer que a mineradora Vale se comprometa a manter o pagamento dos salários dos empregados do projeto Potássio Rio Colorado durante um ano. A proposta foi apresentada nesta quarta-feira, 13, pelo Ministério do Trabalho ao CEO da companhia no país, Sérgio Leite. Durante uma audiência que teve a participação dos governadores de Mendoza, Francisco “Paco” Pérez, de Rio Negro, Alberto Weretilneck, e de Nequén, Jorge Sapag, o representante da Vale foi duramente questionado sobre sua decisão de “abandonar” o projeto na Argentina e sobre o futuro dos funcionários. Segundo estimativas do governo, o projeto Potássio Rio Colorado tem 4,5 mil empregados contratados diretamente pela Vale e outros 6 mil pelas empresas envolvidos no empreendimento.


Na última segunda, a Vale anunciou a suspensão do projeto, mas não detalhou por quanto tempo. Esse aspecto também foi questionado pelas autoridades argentinas, segundo uma fonte que participou da audiência. Leite não respondeu à maioria das perguntas nem sobre a proposta salarial e alegou que deve consultar a diretoria no Rio. O governo deu um prazo de 48 horas para que a companhia apresente suas respostas. Nova audiência foi marcada para esta sexta-feira, às 10 horas (horário de Brasília).


A audiência contou com a presença de vários prefeitos envolvidos com a construção da mina, o trajeto da ferrovia que transportaria o potássio e a reserva de exploração de gás não convencional para abastecer a mina. Houve questionamentos sobre o que fazer com a rede ferroviária inacabada, que ficaria “abandonada”, e o governo voltou a pedir à empresa que apresente alternativas para continuar com o projeto ou apresente um plano de desinvestimento gradual, que possa poupar os empregados.


Relação bilateral

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Os empresários argentinos estão preocupados com os efeitos na relação entre a Argentina e o Brasil de um endurecimento da postura argentina contra a Vale. O ministro do Planejamento, Julio De Vido, e o governador de Mendoza, deixaram claro, na quarta-feira, em discurso para a imprensa, que o governo poderia processar a Vale por quebra de contrato e retomar a concessão sem nenhum ressarcimento.


Empresários da União Industrial Argentina (UIA) ouvidos pelo Broadcast temem que as discussões saiam do controle e possam arranhar a relação bilateral. “Uma expropriação de uma concessão brasileira poderia disparar uma crise, o que seria ruim para os dois sócios”, alertou um empresário que prefere não se identificar.


Os executivos da Câmara de Empresas Mineradoras (Caem) emitiram uma nota pedindo que ambos os lados “busquem soluções através do diálogo para que o projeto seja viável”. A Caem alertou para o risco de se abandonar uma obra emblemática que “conflui uma clara complementação entre a mineração e o setor agrícola”.


Na nota distribuída, a Câmara reconheceu que “é a obra produtiva mais importante da Argentina em termos econômicos e sua interrupção implica não só graves prejuízos para as empresas locais e trabalhadores que perderão seus empregos, mas também frustrará um trabalho articulado entre argentinos e brasileiros”.


Esperança


O projeto Potássio Rio Colorado é um dos dois maiores da Argentina, previsto inicialmente em US$ 5,9 bilhões. O outro desta envergadura é também do setor de mineração, no valor de US$ 6 bilhões de investimentos: Pascua Lama, da canadense Barrick Gold, localizado na divisa da província argentina de San Juan com a fronteira do Chile. Fonte do governo de Mendoza disse ao Broadcast que “existe ainda a tênue esperança de um encontro entre as presidentes (Cristina Kirchner e Dilma Rousseff) ajude a destravar o diálogo e encaminhar uma solução”.


A fonte do governo de Mendoza afirmou que “somente um pedido de Dilma poderia sensibilizar a Vale a fazer um esforço maior porque, até o momento, a empresa rejeitou todas as opções que lhe oferecemos”.


Segundo nota da Casa Rosada, a Vale corrigiu o valor do projeto de US$ 5,9 bilhões para US$ 8,8 bilhões, em dezembro, e para US$ 10,9 bilhões, em fevereiro. O ministro De Vido disse que a Vale pediu benefícios fiscais no valor de US$ 3 bilhões e acusou a companhia de querer compensar suas perdas mundiais com a concessão de privilégios pelo Estado argentino.


O tom do forte discurso do ministro De Vido foi levado à audiência no Ministério do Trabalho. Uma das fontes ouvidas disse que o governo ameaçou, claramente: “Se não oferecer um plano de desinvestimento que não prejudique os funcionários, o governo vai tirar a concessão da mina e do porto de Bahia Blanca.”


O ministro do Trabalho, Carlos Tomada, segundo as fontes, solicitou à Vale que suspenda a ordem de emissão dos avisos de demissão, que havia sido dada na terça ao consórcio de empresas liderado pela Odebrecht e Techint. Outras duas empresas brasileiras participam do projeto: Camargo Corrêa e Andrade Gutierrez, contratadas, respectivamente, para a construção da mina e do terminal marítimo.

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