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Saída da Vale da Argentina afeta empresas do Brasil

A decisão da Vale de suspender o projeto de potássio Rio Colorado, em Mendoza, na Argentina, afeta outras empresas brasileiras. As empreiteiras Odebrecht, Andrade Gutierrez e Camargo Corrêa foram contratadas pela mineradora para diferentes partes do empreendimento. Segundo fontes, o contrato com elas será interrompido, bem como os pagamentos referentes às obras que ainda não foram realizadas. Elas já executaram 45% do projeto. Rio Colorado está orçado em US$ 5,9 bilhões. A Vale desembolsou US$ 2,2 bilhões até o fim de 2012.


A suspensão do contrato com as empreiteiras não implica multa, de acordo com essas fontes. A Odebrecht era responsável pelas obras da mina. A Camargo Corrêa era a operadora da ferrovia existente, que seria revitalizada, e construiria um novo ramal ferroviário para escoar a produção. E a Andrade Gutierrez respondia pelo porto que seria erguido na província de Buenos Aires para exportar a matéria-prima. Nenhuma das empresas comentou a decisão da Vale.


A paralisação de Rio Colorado provocou mal-estar no governo de Cristina Kirchner. Em nota, a Casa Rosada acusou a empresa de ter tomado decisão unilateral e se comprometeu a atuar como “árbitro” nas instâncias que forem necessárias, para garantir a continuidade das obras e a preservação dos postos de trabalho. São seis mil empregos diretos e indiretos. Apesar da promessa da Casa Rosada, a Vale dispensará já esta semana os funcionários administrativos alocados no projeto.


Na visão do governo argentino, a Vale desistiu do projeto não só por dificuldades na economia local, com inflação alta e intervenções no mercado cambial, mas também por causa da crise econômica mundial. “A verdade é que a crise econômica internacional vem impactando fortemente os níveis de consumo das diferentes commodities minerais, o que resultou em menor demanda e menores preços da principal fonte de receita da Vale, o minério de ferro”, diz a nota.

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Vale reavalia projetos de potássio


A Casa Rosada também informou que as demandas feitas pela Vale ao longo de um ano de negociação, se atendidas, representariam “uma ajuda estatal de aproximadamente US$ 3 bilhões num prazo de dois anos e sem contrapartida”. O governo argentino enviou carta à Vale nesta terça-feira lamentando a decisão, mas não apresentou contraproposta.


Segundo o diretor de Mineração de Mendoza, Carlos Molina, a empresa Mubadala, de Abu Dhabi, estaria interessada em investir na Vale para se associar ao projeto de Rio Colorado.
— Oferecemos à Vale sócios estratégicos interessados em aportar dinheiro. A Mubdala é uma. E uma empresa canadense-australiana é outra — disse.


Com a suspensão de Rio Colorado, a diretoria da Vale começa a reavaliar os investimentos em fertilizantes. Rio Colorado era o maior dos quatro projetos de potássio que a empresa mantinha em seu portfólio. Ele responderia por uma produção de 4,3 milhões de toneladas do mineral por ano, de um total de 9,4 milhões de toneladas. Os outros três são Neuquén (Argentina), Carnalita (Sergipe) e Kronau (Canadá). Este chegou a entrar na lista dos ativos que a Vale pretendia vender para fazer caixa. Agora, deve voltar a ser prioridade, segundo fontes.


Clique no link abaixo e leia o comunicado da Casa Rosada:
http://www.prensa.argentina.ar/2013/03/12/38981-comunicado-del-gobierno-abandono-de-proyecto-potasio-rio-colorado-por-el-operador-minero-vale.php


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