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Santos terá ajuda da Alemanha e Espanha

A Secretaria Especial de Portos está negociando com os governos da Alemanha e Espanha alternativas de acesso ao Porto de Santos cujos projetos devem ser apresentados até o fim do ano. Hoje, os gargalos na chegada ao porto – que movimenta 26% da balança comercial – são considerados o maior desafio a ser enfrentado pelo complexo, admitiu o ministro dos Portos, Pedro Brito, em evento realizado, quarta-feira, na cidade.


“As condições atuais de atendimento ferroviário e rodoviário estão muito aquém da nova demanda. Temos de explorar toda a capacidade hidroviária da região e criar zonas de apoio logístico que possam desafogar o porto em relação aos caminhões que chegam”, afirmou Brito. Segundo ele, entre as possibilidades está também a criação de túneis para transporte de contêineres.


Mantido o atual ritmo de crescimento, o porto de Santos movimentará 95 milhões de toneladas neste ano. Se alcançado, o resultado superará em 3 milhões de toneladas o cenário mais pessimista traçado por um estudo de demanda do Banco Interamericano de Desenvolvimento para o ano de 2014.


Por isso o objetivo do plano de acessibilidade é racionalizar a matriz de transporte da carga que hoje está largamente concentrada na rodovia – 85% do que é movimentado no porto entra ou sai sobre rodas. Soma-se a isso o fato de haver apenas uma entrada para a margem direita (Santos), que concentra 76% dos caminhões do complexo. O restante segue para o Guarujá.

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Já está em curso uma lenta migração das mercadorias para a ferrovia. De acordo com previsões recém-atualizadas da Companhia Docas do Estado de São Paulo (Codesp), apesar da projeção de 14,4% de aumento dos volumes neste ano sobre 2009, o incremento do fluxo de cargas por caminhão será de 3%, somando 3,2 milhões de carretas. Paralelamente, a ferrovia movimentará 18 milhões de toneladas este ano, alta de 20% em relação ao período anterior. Em três anos o modal deverá alcançar 30 milhões de toneladas, estima o diretor de Infraestrutura e Serviços da Companhia Docas, Paulino Moreira Vicente.


Enquanto os projetos de médio prazo não saem do papel, a estatal anunciou a implementação em no máximo dois meses de um plano de controle da chegada dos caminhões à Baixada Santista. A ideia é regular o envio das cargas na origem de acordo com a capacidade disponível nos terminais a cada embarque, afinando oferta e demanda por meio de um banco de dados desenvolvido pela Associação Brasileira de Terminais e Recintos Alfandegados (Abtra).


A iniciativa prevê ainda a participação da autoridade portuária na triagem das carretas nos pátios reguladores existentes no Sistema Anchieta-Imigrantes (SAI) e estenderá poder de multa à guarda portuária nas áreas do complexo.


“Não há problema portuário, há problema logístico. O investimento que o governo federal fez em Santos nos últimos três anos não é sequer comparável ao que foi feito em 30 anos no porto. Mas claro que somente isso não é suficiente”, disse o ministro Brito.


Na primeira fase do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), o porto paulista ficou com 13,6% dos R$ 3,6 bilhões destacados para o segmento. Desses R$ 493 milhões, quase 42% abasteceram as obras das chamadas avenidas perimetrais – conjunto de vias rápidas e viadutos concebido para diminuir os entroncamentos rodoferroviários e dar mais fluidez ao trânsito interno. A da margem direita está mais avançada, com previsão de término em 2013. As obras em Guarujá começam neste ano e levarão 18 meses.


No PAC 2 a previsão de investimentos do governo em Santos mais que triplicou e o complexo passou a responder por quase 30% dos R$ 5,1 bilhões previstos para 21 portos do país.

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