Como fazer para que as experiências de campo nas ferrovias cheguem até os tomadores de decisão das empresas e como propagar as boas práticas entre todos os agentes que atuam no setor ferroviário brasileiro? Com estes dois dilemas e a meta de fomentar o aumento de produtividade no setor, a Estação da Luz Participações (EDLP), com o apoio da Revista Ferroviária, criou há três anos o Prêmio EDLP de Produtividade do Cliente Ferroviário. Nesta terça-feira (dia 8/11), durante a 14ª Negócios nos Trilhos, foram apresentados os trabalhos vencedores. Segundo Guilherme Quintella, diretor da EDLP, o número de participantes aumentou nove vezes, considerando a primeira edição até hoje e a qualidade dos trabalhos apresentados também teve ganhos significativos no mesmo período.
Segundo Quintella, a premiação surgiu com dois objetivos principais: estimular os funcionários que atuam em todas as áreas de operação e fazer com que os diretores das empresas aumentem a troca de experiências e de práticas que se mostram vantajosas e competitivas para o setor ferroviário. “A produtividade tem que estar no DNA das empresas. Temos que criar um ambiente para que os níveis de produtividade estejam sempre altíssimos e que possamos diminuir cada vez mais os custos e aumentar a competitividade, pois só assim vamos ganhar cada vez mais peso na briga com o setor rodoviário”, afirma.
O grande vencedor da 3ª edição do Prêmio EDLP foi o engenheiro Sênior da Vale, Rodolfo Carlos Alvarado Montoya. Com uma “Metodologia para Avaliar a Integração entre Trem e Ponte”, Montoya e sua equipe na Vale-Vitória desenvolveram um método numérico para uma análise estrutural dinâmica de pontes ferroviárias e constataram que a velocidade de passagem dos trens influencia fortemente na resposta dinâmica das estruturas, especialmente na amplitude dos deslocamentos. Montoya não pode comparecer ao evento, por motivos pessoais.
O engenheiro mecânico Airton Ferreira Pinto de Oliveira ficou com a segunda colocação. Com apenas 25 anos de idade e dois anos no primeiro emprego na Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), Oliveira desenvolveu um estrado padrão para transporte ferroviário de bobinas de aço que se adapta a qualquer tamanho e peso (de duas até 30 toneladas). Com o trabalho “Dimensionamento e Otimização de Estrados Utilizados no Acondicionamento de Produtos Siderúrgicos”, Oliveira faturou o segundo lugar do prêmio e garantiu significativos ganhos de produtividades para a empresa onde atua.
Até então, a CSN utilizava um estrado para cada tamanho de bobina, o que a levava a adquirir anualmente 48 mil unidades, já que boa parte dos estrados permanecia empilhada na sede dos clientes. A cada carregamento, vinte empregados trabalhavam na separação estrados para adequá-los às medidas de cada bobina. Cada vagão passou a transportar oito bobinas e o carregamento foi agilizado. Com um só modelo de estrado, as compras diminuíram 60%, os separadores de estrado foram deslocados para outras funções e a economia somou R$ 3,41 milhões, representando 55% do valor do serviço.
Além dos dois premiados, receberam menções honrosas o mecânico da Vale Marcos Almeida Ramos, com o trabalho “Venturi Gerador de Vácuo”; o gerente de Logística da Arcelor Mittal-Tubarão, Júlio César da Silva, com o trabalho “O Transporte Ferroviário de Calcário em Contêineres, Seus Desafios e Resultados” ; o supervisor de Manutenção Eletro-Eletrônica da Ferrovia Centro Atlântica (FCA), Everton de Moura Cabral, com o trabalho “Detector de Cauda Automatizado”; o especialista Ferroviário da MRS Logística-Juiz de Fora, José Ribamar Costa Perdigão, com o trabalho “Redutor de Umidade de Minério de Ferro”; o Coordenador de Automação da Ipiranga-Rio de Janeiro, Luís Silberman, com o trabalho “Simulação do Abastecimento de Terminais Ferroviários”; o especialista de Cargas da Vale-Ipatinga, Leonel Gripp da Silva, com o trabalho “Aprimoramento Contínuo” e o agente de Estação da Ferroeste, Marinaldo José Gaspareto, com o trabalho “Uma Ferramenta para Otimizar o Transporte Ferroviário”.
A comissão julgadora responsável pela definição dos ganhadores do prêmio EDLP é formada por Carlos Braconi, Henrique Boneti, Irineu Venâncio, Jorge Fernando, José Eduardo Castelo Branco, Juvenal Momesso, Manoel Mendes, Márcio Lacerda e Silveira Lopes, engenheiros e professores com notória atuação no setor ferroviário.
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