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Delcídio: adiamento da entrega das propostas

A entrega das propostas para a compra de ações da Brasil Ferrovias e Novoeste, prevista para a próxima quarta-feira, pode ser adiada. O senador Delcídio Amaral, ex-líder do PT no Senado e pré-candidato ao governo de Mato Grosso do Sul, disse na sexta-feira que irá pedir o adiamento do envio das propostas, caso os questionamentos do Senado quanto ao processo não sejam esclarecidos na audiência pública marcada para amanhã, na Comissão de Infra-Estrutura, na véspera da data marcada para o recebimento das ofertas.

`Ainda não temos uma posição fechada sobre o assunto mas, caso não saiamos satisfeitos da audiência, poderemos pedir para que a abertura das propostas seja adiada`, afirma Amaral.

O presidente da Funcef (Fundo de Pensão dos funcionários da Caixa Econômica Federal) e do Conselho de Administração da Brasil Ferrovias, Guilherme Lacerda, preferiu não comentar o assunto, mas lembrou que as empresas são privadas, o que limitaria a ação do Senado.

Na semana passada, o senador pediu que fosse feita a audiência, por não concordar com alguns pontos do processo, como o desmembramento da venda das duas ferrovias. `Precisamos esclarecer como vai ser feita a venda desse ativo porque, dependendo dos players envolvidos, poderá haver um monopólio`, afirma.

Uma das preocupações do senador é que os novos sócios limitem a utilização da Novoeste, que corta o Mato Grosso do Sul. Pelo desenho das duas ferrovias, a Novoeste termina em Mairinque, interior de São Paulo, e utiliza os trilhos da Brasil Ferrovias até o Porto de Santos. `A Novoeste transportou 3,5 milhões de toneladas em 2005, muito pouco para o estado que tem uma demanda de 20 milhões. A venda pode limitar a capacidade da ferrovia a esses 3,5 milhões.`

Para Lacerda, a preocupação é desnecessária, já que os acordos de passagem serão fiscalizados pela Agência Nacional de Transporte Terrestre (ANTT). `O direito de passagem é uma prática comum, prevista em contrato. Atualmente, as duas ferrovias já utilizam um trecho de 16 km que pertence a uma terceira`, diz.

A venda das ações da Brasil Ferrovias acontece quase um ano depois da reestruturação da empresa, em maio do ano passado. Na época, à beira da falência, a empresa foi capitalizada e dividida em duas. A Brasil Ferrovias ficou sob controle da Funcef e da Previ, que detêm 24,5% das ações cada, e do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), com participação de 44%. Na Novoeste, o controle acionário foi dividido entre Funcef, com 22% das ações, e Previ, com 26%. `Nós fizemos a restruturação com o intuito de vender a empresa. Na época, era mais barato injetar recursos para a restruturação do que pedir falência, já que teríamos que devolver o ativo encontrado na época da concessão, em 1996, e ainda pagar as dívidas.`

Desde 1996, a Funcef já investiu cerca de R$ 700 milhões na Brasil Ferrovias – R$ 182 milhões somente no ano passado, durante a restruturação. De lá para cá, a empresa acumula resultados negativos. Em 2005, segundo relatório obtido pela Gazeta Mercantil, a Brasil Ferrovias teve resultado líquido negativo de R$ 236,8 milhões. A Novoeste também fechou no vermelho (R$ 42,4 milhões). O rombo puxou para baixo o faturamento da Funcef, que fechou o ano com crescimento de 7,6%, contra 10,1% do ano anterior.

`Os fundos de pensão foram envolvidos em investimentos mal feitos no passado, participando de privatizações sem o mínimo zelo técnico, o que trouxe muitas dificuldades para a administração. Desde 2003, porém, estamos nos recuperando. Tivemos um crescimento de 23% nesses três anos`, ressalta.

Apesar do rombo nas contas da ferrovia, a venda das ações atraiu o interesse de grandes grupos, como Bunge, Copersucar e MRS. `Essas ferrovias têm um enorme potencial, são responsáveis pelo escoamento de boa parte da produção. Com a entrada de novos sócios, poderemos aumentar os investimentos.` Segundo Lacerda, dependendo das propostas, os fundos poderã

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Fonte: Gazeta Mercantil

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