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Portos precisam se equipar

Caso a Nova Transnordestina saia mesmo do papel, os portos de Suape, em Pernambuco, e Pecém, no Ceará, terão que realizar elevados investimentos para se candidatar a exportadores de soja. Atualmente, não existe estrutura adequada para o escoamento da produção de grãos. “Não se faz logística sem estocagem. Primeiro tem que ter os silos e depois é que se exporta”, ensina Guilherme Laarger, presidente da Associação Nacional dos Transportadores Ferroviários (ANTF) e executivo de logística da Companhia Vale do Rio Doce (CVRD).


No Nordeste, atualmente, o Porto da Madeira, em Itaqui, operado pela CVRD, lidera as exportações de soja, justamente por contar com as melhores facilidades de logística, especialmente com a integração ferrovia e portos. “O Porto de São Luís está mais preparado para as exportações de grãos, além de ser mais próximo dos mercados consumidores”, reconhece o secretário-executivo da Associação dos Agricultores e Irrigantes da Bahia (Aiba), Ivanir Maia.


No Maranhão, a Companhia Vale do Rio Doce (CVRD) não mede esforços, nem recursos, para ampliar a capacidade de armazenagem e exportação da produção de grãos. No ano passado, por exemplo, dos R$ 2 bilhões destinados à área de logística em 2005, R$ 469 milhões foram aplicados no Maranhão. Com recursos próprios, a empresa investe em um ano metade do que a CFN planeja fazer em três anos, com recursos da União.


Nesta safra 2005/2006, a empresa acaba de ampliar a sua capacidade de armazenagem em 18%, saltando de 165 mil toneladas para 194 mil toneladas. São seis silos, sendo dois próprios e o restante de terceiros, pertencentes a multinacionais como a Bunge e a Cargill. O gerente comercial de Logística da CVRD, Evaldo Barbosa, explica que cada silo representa investimentos da ordem de R$ 6 milhões, com recursos próprios.

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A soja é operada em um píer exclusivo, com calado de 18 metros, no Porto da Madeira. Os outros dois píeres são destinados à exportação de ferro-gusa e minérios. Em função do excelente calado, o terminal marítimo do Porto da Madeira é o único do Brasil capaz de carregar totalmente o maior graneleiro do mundo, chamado Berge Stahl, com capacidade para transportar 355 mil toneladas e construído especialmente para a rota São Luís-Roterdã, na Holanda.


No ano passado, a frota de vagões graneleiros também foi ampliada em 46%. A CVRD operava a soja com 249 vagões até o final de 2004, comprou mais 116 vagões em 2005 e agora conta com 365 vagões. Com a ampliação, o volume da ferrovia passou de 1,2 milhão de toneladas por ano para 1,9 milhão de toneladas por ano. “Com a expansão da ferrovia Norte-Sul, o volume de cargas deve crescer ano a ano”, explica o gerente comercial de logística da CVRD no Porto da Madeira, Evaldo Barbosa. Até os produtores baianos reconhecem as vantagens logísticas de Itaqui. Além da garantia de espaço para o escoamento pelo produtor, a oferta maior de vagões objetiva reduzir o envio de caminhões a São Luís, melhorando a qualidade de vida na cidade e no trânsito.


BAHIA – Os portos baianos de Aratu e Ilhéus também exportam grãos, mas as condições ainda não são apontadas como ideais pelos próprios produtores de soja. No entanto, novos investimentos estão em curso para mudar esta situação. No início deste ano, a empresa de alimentos cearense M.Dias Branco inaugurou a ampliação da capacidade de armazenagem de grãos no Porto de Aratu, para prestar serviços a empresas como a Cargill. “A empresa mostra visão de futuro. Eles estão se antecipando à expansão do agronegócio brasileiro. Isto é logística pura, pois cria uma sinergia no porto. É o tipo de projeto que contribui para evitar gargalos na saída da produção de grãos do Brasil”, elogia Guilherme Laarger.


Além da M.Dias Branco, a Bunge Alimentos também está investindo no Porto de Aratu, justamente com o objetivo de melhorar o embarque de grãos produzidos no oeste baiano. Em março último, a empresa anunciou que investirá US$ 30 milhões

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Fonte: Jornal do Commercio

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