A América Latina Logística (ALL) divulgou, nesta semana, o balanço financeiro do primeiro trimestre de 2006 com um crescimento de 11,8% na receita líquida, que foi de R$ 264,4 milhões. A empresa é a maior operadora logística de base ferroviária da América Latina e detém toda a malha Sul do Brasil, além de operar da Argentina.
O resultado, segundo o balanço, foi conseqüência da expansão de 9,6% no volume de carga transportado no período – especialmente as commodities agrícolas, que apresentaram um aumento de 11,5% no volume. Em produtos industriais, o volume cresceu 10,8% impulsionado por um aumento de 19,3% no volume transportado nos fluxos intermodais. Destaque para os setores siderúrgicos e de alimentação, que cresceram 116% e 21%, respectivamente.
Para o gerente de relação com os investidores, Rodrigo Campos, a ALL conseguiu um resultado positivo, principalmente, “se considerarmos que ainda carregamos as conseqüências da quebra da safra do Sul em 2005”. O desempenho para o resto do ano é com previsão de crescimento.
“As perspectivas para 2006 são as melhores, justamente, porque o início deste ano já aponta para condições mais favoráveis do que o ano anterior”, ponderou Campos durante entrevista ao NetMarinha.
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A posição otimista do executivo é justificada pelo volume de investimentos previstos. Somente no primeiro trimestre do ano, a empresa ultrapassou R$ 88 milhões. No primeiro trimestre do ano passado, totalizou R$ 60,7 milhões. Os recursos foram utilizados para melhorar a infra-estrutura, que se prepara para um crescimento de 10% da safra de grãos neste ano. Foram realizadas reformas e trocas nas vias férreas da empresa – que ainda adquiriu 48 novas locomotivas.
COMPRA DA BRASIL FERROVIAS – Um possível investimento para 2006 é a compra da Brasil Ferrovias, malha que cobre os Estados do Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. Em março, a ALL declarou interesse na aquisição dos ativos da ferrovia, assim como outros interessados. O processo formal de venda da Brasil Ferrovias começou em dezembro e deve continuar até meados de 2006.
“Trabalhamos com a idéia de que até agosto o processo esteja resolvido, seja para sim ou não pelo negócios com a ALL. É preciso considerar que outras empresas estão também interessadas na Brasil Ferrovias”, comentou Campos. A oferta inclui o sistema de bitola estreita ligando Mato Grosso do Sul ao Porto de Santos e o de bitola larga, do Mato Grosso ao Porto de Santos. A ALL tem manifestado interesse pelos dois sistemas e acompanha de perto o processo de venda da empresa.
Ainda na análise do balanço, é importante destacar que o lucro líquido cresceu 18,1% no período, passando para R$17,8 milhões, mesmo com o efeito negativo da desvalorização de 22,9% ano contra ano do peso contra o real, que reduziu o resultado em reais da ALL Argentina. Ao todo, a empresa tem uma frota de cerca de 1,6 mil veículos entre próprios e agregados, 16 mil quilômetros de vias férreas no Brasil (sul de SP, PR, SC e RS) e na Argentina, totalizando 706 locomotivas, mais de 19 mil vagões.
A COMPANHIA – A empresa iniciou suas atividades em março de 1997 como Ferrovia Sul Atlântico, ao vencer o processo de privatização da malha ferroviária sul (PR, SC e RS). Em dezembro de 1998, por meio de um contrato operacional, passou a operar também no trecho sul de SP.
Em agosto de 1999 adquiriu as ferrovias Argentinas MESO e BAP, dobrando a extensão de sua malha. Em julho de 2001 integrou a totalidade dos ativos e atividades da Delara, dando origem à maior empresa de logística da América Latina.
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