Francisco Pinto — engenheiro, empresário e presidente do Conselho de Transporte da Associação Comercial do RJ
A adequação da oferta de transportes às necessidades da população é pedra de toque para a boa qualidade de vida urbana. Cidades como Londres, Paris e Nova York não teriam o esplendor que atrai dezenas de milhões de turistas anualmente se não tivessem suas poderosas redes de transporte de massa. Tomara que o futuro prefeito tenha consciência disso e não se conforme com essa deficiência estrutural do Rio de Janeiro.
Não basta atuar na fiscalização de ônibus, táxis e vans e na operação do trânsito. É necessário, mas não é suficiente. A prefeitura também deve assumir responsabilidades quanto à implantação de alguns trechos de metrô imprescindíveis.
A bola da vez é a implantação do trecho Estácio – Carioca, para a Linha 2 poder transportar 90.000 passageiros por hora e por sentido, sem provocar a superlotação da Linha 1, e ensejar a revitalização daquela parte do Centro delimitada pelas ruas Riachuelo, Frei Caneca e os Arcos da Lapa, incrementando a arrecadação de IPTU e ISS.
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Outra prioridade é a implantação dos trechos Botafogo-Barra, da Linha 4, e Barra-Madureira, da Linha 6. Ao converter o tempo perdido nos engarrafamentos em tempo útil para trabalho, lazer e convívio social, a prefeitura possibilitará a ocupação qualificada de Barra e Recreio. A viabilização dessa valiosa área de expansão da cidade também causará forte impacto positivo nas finanças municipais.
O investimento municipal em transporte de massa é necessário e viável. Alegar que “o metrô custa caro e não há recursos para investir” é desculpa esfarrapada de administrador que não tem capacidade ou vontade de realizar. As grandes metrópoles do mundo continuam ampliando suas redes metroviárias.
O futuro prefeito deveria propor ao governador uma agenda comum de investimento em transporte de massa, com repartição de encargos.
Governador e prefeito unidos, como nunca foram no Rio de Janeiro, terão maiores chances de conquistar o indispensável apoio do governo federal. Com certeza, não faltarão parceiros privados para fazer o Rio mudar de patamar no quesito transportes. É difícil, mas difícil não é sinônimo de impossível.
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