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Ferrovia perto de sair do papel

A Transnordestina – projeto de ligação ferroviária entre o Sertão nordestino e o Litoral – pode começar a sair do papel num prazo estimado de 30 dias, quando deverão estar resolvidas as últimas pendências em torno de um acordo entre a Companhia Ferroviária do Nordeste (CFN) e o governo federal. O acordo pretende viabilizar a construção da Nova Transnordestina, ferrovia que começa no município de Eliseu Martins, no Piauí, que depois de bifurcação em Serrita, no Sertão Central de Pernambuco, distante 535 quilômetros do Recife, seguirá num ramal para o porto de Pecém, no Ceará, e noutro para o porto de Suape. A obra tem custo estimado em R$ 4,5 bilhões e deverá estar pronta em três anos.

“Só falta o presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciar o início das obras”, garantiu, ontem, o diretor comercial da CFN, Ângelo Baptista, listando o Banco Nacional de Desenvolvimento Social (BNDES) como principal parceiro no negócio, além da Agência de Desenvolvimento do Nordeste (Adene). Deverá contar ainda com recursos do Fundo de Investimentos do Nordeste (Finor).

Segundo Baptista, a CFN, a partir de seus acionistas: a Companhia Siderúrgica Nacional e a Taquari Participações (da família do empresário Benjamin Steinbruch), pretendem aplicar no projeto R$ 550 milhões. Outros R$ 600 milhões serão captados em empréstimos junto ao sistema financeiro pelos acionistas privados. Outros R$ 3,385 bilhões sairão dos cofres públicos, incluindo os ministérios da Integração Nacional, Fazenda e Transportes, além do BNDES, Banco do Nordeste e Finor, mas tendo que passar pelo crivo da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT).

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Além da engenharia financeira, outras etapas do projeto conceitual da obra já foram vencidos. Está definido que a estrada será em bitola larga (1,6 metros), com rampas de aclive e declive máximos de 0,6 graus e raio mínimo de curva de 400 metros. Tudo isso para garantir segurança e rapidez para tornar economicamente viáveis as viagens de comboios de duas locomotivas e 100 vagões, com capacidade de carga de até 10 mil toneladas por viagem. Otimistas com o bom andamento das negociações, já está em processo de contratação pela própria CSN de Steinbruch os projetos estruturais e os projetos do Estudo de Impacto Ambiental e do Relatório de Impacto Ambiental (EIA-Rima).

O trecho de 160 quilômetros do antigo projeto da Transnordestina entre Salgueiro e Missão Velha (CE) pode começar a ser construído logo. É que está no novo traçado e já dispõe de projetos EIA-Rima e estrutural aprovados.

Estudos da CFN contabilizam que a obra poderá gerar a médio prazo 620 mil empregos, sendo que 70 mil nos canteiros de obras. Outros 550 mil vagas de trabalho deverão ser permanentes na produção de grãos, especialmente soja e algodão, e na extração de minérios como gipsita, granito e minério de ferro e em outras atividades econômicas.

“Estamos começando um novo momento. A economia será aquecida com a ferrovia no agronegócio, na avicultura, no setor têxtil, na fruticultura. E não é só um projeto de exportação de produtos. Haverá um forte impacto social”, frisou Baptista.

MINÉRIO DE FERRO – Um outro ramal da CFN começa a movimentar cargas com bons resultados. Em agosto começa a transporte de minério de ferro desde Jucurutu (RN) até o porto de Suape, numa parceria com a MHAG Minerações com destino à Ásia. Serão 15 mil toneladas por mês incialmente, subindo para 100 mil toneladas mensais em janeiro de 2006 e pulando para 200 mil toneladas mês. O contrato é de cinco anos e pretende exportar 12 milhões de toneladas de minério de ferro. A CFN vai investir R$ 60 milhões para recuperar o ramal de 350 quilômetros.

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Fonte: Jornal do Commercio

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