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Jazida de ferro na BA receberá US$4,5 bilhões

A Bahia vai entrar para o rol dos maiores produtores de minério de ferro do mundo. Foi iniciado o processo de licitação para a venda da mais nova jazida, cuja reserva, localizada no centro oeste baiano, está estimada em quatro bilhões de toneladas. Batizado de `nova Carajás brasileira`, o cinturão ferrífero já atraiu o interesse de 20 grupos internacionais, principalmente do setor siderúrgico. A Mineração Brasileira de Ferro (MBF), que detém os direitos de concessão, estima a possibilidade de investimentos da ordem de US$ 4,5 bilhões, na região de Caetité, com abertura da mina e implantação de uma indústria siderúrgica. Mais de 40 mil empregos diretos e indiretos podem ser gerados em pleno sertão baiano.

Segundo o presidente da MBF, João Carlos Cavalcanti, a perspectiva é de uma produção inicial de dez milhões de toneladas anuais, chegando a 30 milhões, em três anos. O volume atenderia siderúrgicas nacionais e internacionais. `Somente para a abertura da mina e implantação das usinas de concentração e pelotização serão necessários US$2 bilhões. Outros US$2,5 bilhões devem ser aplicados na construção de uma siderúrgica`, informou.

As pesquisas indicam a presença de três tipos de minério: os itabiritos duros, com concentração de ferro entre 37% e 42%; brandos, entre 47% e 62%, e ricos, entre 64% e 67%. Os dois primeiros, segundo Cavalcanti, representam 80% das reservas. Ele explicou que a intenção da MBF é vender 90% da jazida. `Além da matéria-prima de alta qualidade, os custos de produção de aço no Brasil são dos mais baixos do mundo, o que estimula a implantação de uma indústria siderúrgica na região`, afirmou o presidente da empresa.

A Metal Data, que presta consultoria no setor mineral, é quem está coordenando o processo de licitação internacional. Dos 20 grupos interessados, 12 já assinaram um protocolo de confidencialidade, o que permite visita e análise das áreas. Em seguida, são apresentadas as ofertas financeiras. Há, no entanto, uma proposta de uma siderúrgica chinesa, que, aliada a um banco canadense, indicou a possibilidade de pagamento de `pedágio` para que não haja licitação e os mesmos vençam a disputa. `De uma forma ou de outra, acreditamos que o negócio será fechado em três meses`, disse.

O geólogo João Carlos Cavalcanti, que é baiano, afirmou que, além do Vale do Paramirim, em Caetité, estão sendo estudados outros dois blocos. Um deles, na região que inclui os municípios de Botuporã, Tanque Novo e Boquira, teria potencial de 2,6 bilhões de toneladas. Outro, próximo a Xique-Xique, em fase de investigação, pode chegar a quatro bilhões. O cinturão ferrífero baiano teria uma distância de 165km e seria uma continuação do Quadrilátero de Minas Gerais.



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Estado pode ser pólo siderúrgico


O diretor geral adjunto do Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM), do Ministério de Minas e Energia, João César Pinheiro, afirmou que a Bahia poderá se tornar sede do mais novo pólo siderúrgico do país, com a comprovação da existência das reservas. Segundo ele, para cada emprego gerado na mineração são proporcionados outros 13 postos de trabalho.

Pinheiro informou que esteve no mês passado em Caetité, onde, acompanhado do coordenador de Mineração da Secretaria Estadual de Indústria e Comércio, Adalberto Ribeiro, visitou a seqüência geológica ferrífera. `Estamos muito otimistas em relação ao potencial da jazida, e esperamos apenas os relatórios das empresas interessadas`, afirmou.

João César Pinheiro destacou que haverá um forte impacto na economia mineral brasileira. Ele citou o reaquecimento da demanda por minério de ferro, principalmente por parte dos países asiáticos, como a China, o que tem levado as empresas de mineração a ampliarem a prospecção de minério de ferro em diversos estados, além daqueles que tradicionalmente produzem este insumo siderúrgico: Minas Gerais e Pará.

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Fonte: Correio da Bahia

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