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ALL deve ficar com Brasil Ferrovias

A América Latina Logística (ALL) deve assinar esta semana o contrato de compra dos dois corredores da Brasil Ferrovias: o de bitola larga e o de bitola estreita. Segundo informações do mercado, o pagamento seria feito por meio da emissão de ações da ALL, a exemplo do que ocorreu recentemente na aquisição do BankBoston pelo Itaú. Com isso, os três sócios da Brasil Ferrovias – Funcef (Fundo de pensão dos funcionários da Caixa Econômica Federal), Previ (Fundo de pensão dos funcionários do Banco do Brasil) e Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social – passariam a ser acionistas importantes da holding ferroviária.


A ALL não confirmou a informação e adiantou que não fará comentários enquanto o contrato não for assinado. O presidente da Funcef, Guilherme Lacerda, também evitou dar detalhes do processo de negociação, mas afirmou que um possível acordo pode ser fechado nesta semana. “Ainda não confirmamos que a negociação foi concluída, mas não podemos ficar adiando esse processo. É possível que saia esta semana”, disse. Segundo ele, faltam apenas algumas “coisinhas específicas” para serem aprovadas pelos diretores. Há quem diga que o contrato possa ser assinado amanhã.


Uma fonte que acompanha de perto as negociações de venda da Brasil Ferrovias afirmou que na quinta-feira à noite os acionistas da Funcef, Previ e JP Morgan acertaram os últimos detalhes para a venda da ferrovia para a ALL. Na prática, isso significa que a empresa de logística teria o controle de três concessionárias ferroviárias: Ferronorte, Ferroban e Novoeste.


Segundo esse interlocutor, o plano da ALL foi melhor do que do seu principal concorrente na disputa, a trading coreana Asila. A Companhia Vale do Rio Doce (CVRD) não apresentou proposta. De acordo com a fonte, os acionistas acham melhor vender os dois sistemas para um mesmo operador logístico. A concessionária ferroviária ganhou pontos também por estar estabelecida no País e por ter know-how em logística.

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Após uma reestruturação finalizada no ano passado, que incluiu apoio do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), com aportes superiores a R$ 1 bilhão do banco de fomento e dos acionistas, a Brasil Ferrovias foi dividida em duas partes. A Nova Brasil Ferrovias conecta o sistema de bitola larga, que liga o Mato Grosso ao porto de Santos, interligando a Ferronorte e parte da Ferroban.


A outra cisão criou a Novoeste Brasil, que liga o Mato Grosso do Sul ao porto de Santos, formado pelas ferrovias Novoeste e Ferroban. “É importante mostrar que trata-se de uma empresa que tinha grandes problemas e estava em situação falimentar em 2003. Com a reestruturação, muita coisa foi resolvida e a empresa voltou a ser uma das principais companhias do setor”, disse Lacerda, ressaltando que ainda há muitos acertos a serem feitos na companhia.


VALORIZAÇÃO DAS AÇÕES


As especulações em torno da compra da Brasil Ferrovias turbinaram o preço das ações da ALL na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) na semana passada. Só na sexta-feira, os papéis ON e PN da companhia subiram 10% e 5,14%, respectivamente. Em maio, a alta já atinge 26,92% e 8,93%.


Com a compra da Brasil Ferrovias, que inclui Ferronorte, Novoeste e Ferroban, a ALL incorpora a sua malha 3.767 vagões operacionais de bitola estreita e 4.582 de bitola larga, somando 8.349 unidades. Além disso, ficaria com 272 locomotivas operacionais, sendo 88 de estreita e 184 de larga.


A Ferroban tem 4.236 km de linha, a Novoeste 1.621km e a Ferronorte 512 km, somando 6.369 km. Para efeito de comparação a concessionária brasileira ALL Brasil tem 12.792 vagões, 545 locomotivas e 6.586 km de linha. A ALL Argentina controla mais 5.690 km de linhas. (Renata Stuani e Renée Pereira)

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Fonte: O Estado de S. Paulo

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