Apesar das chuvas, as obras de construção da esmagadora de soja da ABC Inco, em Porto Franco, a 724 quilômetros de São Luís, estão avançadas. A previsão é que a fábrica comece a operar em dezembro deste ano, ou o mais tardar em janeiro, de acordo com informação do diretor comercial da empresa, Manoel Pereira. O empreendimento está orçado em R$ 220 milhões, dos quais R$ 110 milhões de investimento próprio e o restante financiado pelo Banco do Nordeste (BNB).
No último fim de semana, Pereira esteve em Porto Franco, na companhia do governador do Maranhão, José Reinaldo Tavares, para visitar as obras que foram iniciadas em julho do ano passado. Na sexta-feira, o diretor este em São Luís, a convite da Federação das Indústrias do Maranhão (Fiema) para apresentar o projeto da esmagadora aos empresários maranhenses.
Com a capacidade instalada para esmagar 1,5 mil toneladas de soja por dia, a esmagadora da ABC Inco – empresa do grupo Algar, com sede em Minas Gerais – produzirá óleo e farelo de soja. A meta é esmagar 300 mil toneladas em 2007, com previsão de aumentar para 500 mil toneladas em 2008. Do total produzido, 60% será destinado às exportações e 40% aos mercados do Norte do Nordeste, segundo Pereira. Na segunda etapa a empresa planeja ampliar a capacidade esmagadora para dois milhões de toneladas.
A ABC Inco compra grãos no Sul do Maranhão para vender à Europa. A empresa tem escritório comercial em Balsas, a 790 quilômetros de São Luís, e um armazém no município de Tasso Fragoso, onde tem 10 mil toneladas de soja armazenadas, desde o início da safra. “Este ano estamos apenas exportando grãos”, destaca Pereira. Como as obras em Porto Franco ainda não estão concluídas, a empresa firmou uma parceria com as trades de soja Ceagro e Multigrain para utilizar suas estruturas no terminal ferroviário da Companhia Vale do Rio Doce (CVRD), para embarcar a oleaginosa nos trens que fazem o transporte até o porto do Itaqui, em São Luís.
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Os primeiros embarques de soja comercializados pela ABC Inco para o exterior serão realizados nos próximos dias 11 e 16. “Nosso objetivo é embarcar 100 mil toneladas este ano”, revela Pereira. O destino da oleaginosa é Portugal, adianta.
Apesar de quase duas décadas produzindo soja e fazendo parte do Corredor Norte de Exportação, só agora o Maranhão recebe o investimento de uma esmagadora, que segundo Pereira, terá um papel importante na economia estadual. A expectativa é que a esmagadora atraia investimentos de outras cadeias produtivas, principalmente, na área de avicultura, o que historicamente costuma acontecer. “Esperamos que atrás do nosso investimento, venham grandes investidores como a Sadia, a Perdigão e outros ligados à avicultura; que as outras empresas também percebam que o Maranhão é uma grande oportunidade para elas”, observa o diretor da ABC Inco, apostando que em cinco anos este cenário se torne realidade e haja integração entre as cadeias.
Estradas esburacadas
A logística ainda preocupa o setor produtivo. Para que a produção de grãos cresça e com ela as cadeias produtivas, na avaliação do executivo da ABC Inco, é necessário que haja investimento em infra-estrutura de transporte no corredor de exportação. A logística da soja no corredor conta com os modais rodoviário, ferroviário (Estada de Ferro Carajás e ferrovia Norte-Sul) e portuário, em São Luís, por onde escoa atualmente a produção do Maranhão, do Tocantins, do Piauí e de parte do Pará, do Mato Grosso e até da Bahia.
“Com as chuvas, estamos perdendo grãos, pois fica difícil escoar a produção”, diz o Pereira, referindo-se às péssimas condições das estradas do Maranhão, algumas nunca foram asfaltadas, o que tem dificultado o transporte da safra até terminal ferroviário de Porto Franco. “Sabemos que os governos estadual e municipal são sensíveis ao problema”, diz o executivo, que logo em seguida adverte: “infra-estrutura é um fator muito importante para o crescimento
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