O Estado de São Paulo corre o risco do chamado apagão logístico, com a possibilidade da estrutura atual de transporte se tornar insuficiente para acompanhar a produção agrícola e industrial, que não pode parar.
Para o calçado produzido em Franca, as flores cultivadas em Holambra e o material didático fabricado em São Carlos chegarem a consumidores de cidades distantes, há um caminho nem sempre fácil pela frente, percorrido por ônibus e caminhões pelas rodovias paulistas, barcos e até aviões.
São Paulo é o estado brasileiro que mais produz. O PIB (Produto Interno Bruto) paulista chega a US$ 193 bilhões (cerca de R$ 400 bilhões), quase o total dos outros países do Mercosul juntos: a Argentina, com US$ 130 bilhões, o Paraguai, com US$ 6 bilhões, o Uruguai, com US$ 11 bilhões, e a Venezuela, com US$ 85 bilhões, somando US$ 232 bilhões.
O Estado tem todos os meios de transporte: 35 mil quilômetros de rodovias estaduais e concessionadas, onde o usuário paga pelo serviço; 5,2 mil quilômetros de linhas férreas; a Hidrovia Tietê-Paraná, que liga o Estado ao Mercosul; 36 aeroportos, com média de 430 mil pousos e decolagens por ano, e os portos de Santos e São Vicente, de onde sai uma de cada três toneladas exportadas pelo Brasil, segundo a Secretaria Estadual de Transportes.
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O gerente de logística, Vandualdo Bigotto, explica que a logística otimiza as operações de embarque, de armazenagem, de transbordo e busca reduzir os custos para melhorar as atividades de todas estas operações.
Para o professor Marcos Fava Neves, da FEA-USP, logística boa significa alimentos mais baratos para a população.
O despachante internacional Cícero Dadalte avalia que, com uma logística eficiente, quem ganha é o consumidor final, que espera que o seu produto chegue até ele com redução de custos.
O risco do “apagão” logístico é real, diz o professor João Alexandre Widmer, da USP-SC. “Existem alguns gargalos no nosso Estado que precisam ser equacionados nos próximos cinco anos”, explica.
Um desses “gargalos” é a travessia da cidade de São Paulo, avalia o professor Neves.
Colheita boa é comemorada por todos os setores, mas para a logística, também é um problema: quanto mais produção, maior a necessidade de escoamento. No Estado de São Paulo, a cada ano é maior a briga no campo. Os grãos, como soja, milho e café, disputam com o açúcar cada vagão disponível.
Estudos do Departamento de Transporte da USP de São Carlos mostram que a necessidade também pode ser oportunidade de crescimento.
Pesquisas mostram que o transporte ferroviário tem grandes perspectivas de crescimento e hoje tem uma grande restrição de oferta, explica o professor Widmer. O problema não é só de locomotivas e vagões, mas o próximo passo fundamental é o investimento na malha estrutural. A velocidade dos trens de carga é muito baixa.
Empresários que defendem o aeroporto internacional de Ribeirão Preto propõem que as principais cidades do interior tenham centros de distribuição, com terminais aéreos, ferroviários e rodoviários no mesmo lugar.
No vai e vem da riqueza, planejar parece ser um bom caminho.
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