A CPTM prepara a emissão de R$ 200 milhões em títulos através de oferta pública. O objetivo é garantir os recursos necessários para a conclusão dos projetos de expansão das Linhas C e F e de modernização de TUEs. A companhia já entrou com pedido de autorização na Comissão de Valores Mobiliários (CVM), informou nesta terça-feira (dia 22) o presidente Mário Manuel Bandeira, durante o 3º Fórum de Negócios da UITP (International Association of Public Transport), realizado em São Paulo.
A novidade, segundo ele, é que a emissão será realizada dentro dos termos da FIDC (Fundo de Investimento de Direitos Creditórios). O fundo caracteriza-se pela captação de recursos através da venda de cotas a investidores, cuja remuneração é garantida pelo fluxo dos recebíveis (títulos de crédito originados do faturamento de bens e serviços).
“A garantia oferecida pela CPTM será a receita futura resultante da bilhetagem após a finalização dos projetos de expansão e modernização em curso na companhia”, explicou Bandeira. O fluxo de recebimento e pagamento dos cotistas está sendo administrado pelo banco Bradesco. A estrutura da operação e a venda das cotas estão sob responsabilidade da Corretora Rio Bravo.
Pioneirismo
A CPTM é a primeira empresa do setor ferroviário a lançar mão de um modelo de operação financeira com base no FIDC, hoje já utilizado pela Autoban (concessionária de rodovias de São Paulo). “O mecanismo é uma alternativa para contornar os problemas de financiamento no setor. A vantagem é que o próprio fluxo dos recebíveis garante os recursos para a remuneração dos investidores”, ressaltou o presidente da companhia.
A empresa investe atualmente cerca de R$ 800 milhões em três projetos: recuperação da Linha F (Brás-Calmon Viana), extensão da Linha C (Osasco-Jurubatuba) e recuperação e modernização de TUEs. O primeiro prevê a construção de três novas estações (USP Leste, Jardim Helena e Jardim Romano) e modernização de outras duas (Comendador Ermelino e Itaim Paulista).
No projeto de extensão da Linha C serão construídos de 8,5 quilômetros de via dupla sinalizada e eletrificada, intercalada por três novas estações (Autódromo, Interlagos e Grajaú). Com o objetivo de aumentar a oferta de lugares e fornecer suporte aos projetos da Linha C e F, a companhia iniciou em outubro de 2005 um programa de recuperação e reforma dos trens. Até 2008 deverá ser concluído o programa de modernização de 300 carros (destes, 120 carros estão inativos) ao custo de R$ 320 milhões.
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