O presidente Luiz Inácio Lula da Silva vai aproveitar a visita do primeiro-ministro indiano, Manmohan Singh, e do presidente sul-africano, Thabo Mbeki, para anunciar a criação do grupo de trabalho do Ibas (Índia, Brasil e África do Sul). Segundo diplomatas indianos, o grupo vai desenhar uma área de livre comércio unindo Mercosul, Índia e a União Aduaneira da África Austral (Sacu, que reúne Botsuana, Lesoto, Namíbia, África do Sul e Suazilândia).
O primeiro-ministro da Índia chegará ao Brasil na noite de 11 de setembro para assinar vários acordos com Lula. Um deles será na área agrícola, de intercâmbio entre a Embrapa e centros de pesquisa indianos, e outro, na aviação civil, para aumentar a freqüência de vôos entre os dois países. Também será assinado um tratado de facilitação de comércio, com regulamentação de normas, certificações e questões sanitárias, e outro de cooperação na área de pequenas e médias empresas.
Entretanto, o acordo de preferências tarifárias entre a Índia e o Mercosul, assinado em março de 2005, não vai avançar. O acordo ainda nem foi aprovado no Congresso brasileiro e argentino, diz R. Viswanathan, responsável por América latina no Ministério das Relações Exteriores da Índia. O acordo é limitado, cobre apenas 900 produtos. É um começo, podemos avançar depois que ratificarem. Fazem parte da comitiva de Singh representantes de grandes corporações, como a Tata, Birla, Essar, Ranbaxy e Wipro.
Segundo o Ministério de Relações Exteriores da Índia, várias empresas indianas devem anunciar negócios durante a missão. A Oil and Natural Gas Corporation (ONGC, estatal indiana de energia), deve assinar contratos de exploração conjunta com a Petrobrás.
A Ircon, do setor de infra-estrutura, vai anunciar projetos de reforma de ferrovias no Brasil e a abertura de uma fábrica de dormentes de concreto. A Bharat Earth Movers vai divulgar acordo de fornecimento de vagões para a Companhia Vale do Rio Doce.
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O comércio bilateral entre a Índia e o Brasil era de menos de US$ 500 milhões em 2000 e hoje chega a US$ 2,3 bilhões. Mas esse ainda é um número tímido em comparação com comércio entre Índia e Estados Unidos, por exemplo, de US$ 20 bilhões. O último governante indiano a visitar o Brasil foi Indira Ghandi, em 1968. Lula esteve na Índia em 2004.
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