O presidente Luiz Inácio Lula da Silva não conseguiu atingir suas principais metas para o setor de infra-estrutura em termos de realização de obras. De acordo com dados oficiais, o governo não alcançou os objetivos na ampliação da malha ferroviária, resumiu a recuperação de rodovias à Operação Tapa-Buracos, não tirou do papel as hidrelétricas do Rio Madeira e de Belo Monte e segurou as verbas para saneamento básico. Entretanto, obteve êxito no planejamento e aumento da segurança do setor elétrico e na auto-suficiência do petróleo. O diretor do Departamento de Infra-Estrutura da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Saturnino Sergio da Silva, atribui parte do atraso na execução de projetos a problemas enfrentados por governo e empresários na Justiça. Sobretudo devido a questões ambientais.
Saturnino Silva também culpa a política econômica pela escassez de recursos para investimentos públicos. Ele diz, no entanto, que está relativamente otimista com o futuro, pois o atual governo teria retomado o planejamento estratégico para os segmentos de energia e transportes. É injusto analisar o governo Lula de forma isolada, declara Sergio da Silva. Nos últimos 10 anos, a política econômica fez os governos abdicarem dos investimentos. A área de infra-estrutura ficou abandonada, acrescenta.
Em 2002, o então candidato à Presidência Lula prometeu, conforme programa de governo, desenvolver uma política nacional de transportes – destinada a suprir as demandas do mercado interno e do mercado exportador – e ampliar a participação dos modais ferroviário e aquaviário. Comprometeu-se ainda a restabelecer o planejamento estratégico no setor elétrico e teria sido abandonado com a tentativa de implantação de um modelo de mercado pelo governo FHC.
Plano Nacional de Logística é elogiado
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Conservação de rodovias federais, ampliação da malha ferroviária e melhoria das condições de portos e aeroportos. Esses são os principais objetivos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva na área de transportes. De acordo com integrantes da iniciativa privada, o governo não conseguiu atingir tais metas de forma plena. Eles dizem, entretanto, que a formulação do Plano Nacional de Logística de Transportes, apesar do atraso em seu anúncio, será um instrumento positivo.
Para o diretor do Departamento de Infra-Estrutura da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Saturnino Sergio da Silva, o país precisa resolver os gargalos logísticos para que os produtos nacionais sejam mais competitividade no exterior. O país não conseguirá carregar por muito tempo o ônus da ineficiência logística, diz Silva.
Até o fim do ano, o governo Lula pretende concluir a construção de 147 Km da Ferrovia Norte-Sul no Estado do Tocantins. O objetivo da obra é ligar a Plataforma Multimodal de Aguiarnópolis ao Pátio Intermodal de Araguaína. Ainda neste semestre, o governo quer realizar a subconcessão de um trecho da Ferrovia Norte-Sul. Está previsto início das obras para o equacionamento de pontos críticos na malha ferroviária na Bahia, Santa Catarina e Rio de Janeiro.
O governo diz acreditar que criou condições para que a iniciativa privada realize, por exemplo, as obras da Transnordestina e a Ferrovia Litorânea Sul do Espírito Santo. Para o diretor executivo da Associação Nacional dos Transportadores Ferroviários (ANTF), Rodrigo Vilaça, o governo não conseguiu ampliar a malha ferroviária do país. Presidente da Comissão de Infra-Estrutura do Senado e representante do PFL na coordenação da programa de governo do tucano Geraldo Alckmin à Presidência, o senador Heráclito Fortes (PI) afirma que o governo Lula criou expectativas e não as cumpriu.
“A infra-estrutura no governo Lula ficou reduzida à Operação Tapa-Buraco, que foi um desastre”, diz o parlamentar.
O resultado dessa operação, segundo o balanço do governo Lula, constata que 9.100 Km de estradas foram recuperados nos úl
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