Sem anúncios mirabolantes de governos e com forte apoio do setor privado, o Cone Sul terá em 2010 o primeiro corredor bioceânico com infra- estrutura ferroviária e rodoviária interligando o Atlântico e o Pacífico. Hoje, o único corredor em operação para essa ligação é o Canal do Panamá. O do Cone Sul, feito sob chão firme, será uma alternativa para os exportadores. No miolo da América do Sul, produtos industriais e primários aguardam corredores eficazes para terem condições de vencer as distâncias com custos menores.
O conjunto de obras do corredor faz parte do pacote de 31 empreendimentos apoiados – com dinheiro e organização – pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). O pacote foi negociado numa agenda de consenso fechada entre os 12 países sul-americanos dentro da Iniciativa de Integração Regional Sul-Americana (Iirsa). Segundo Joaquim Levy, ex-secretário do Tesouro do Ministério da Fazenda e atual vice-presidente de Finanças e Administração do BID, a construção de uma ligação bioceânica será possível apenas com o apoio das obras de duplicação da BR-101 (no trecho Palhoça-SC e Osório-RS), da Rota 14 na Argentina e a construção de uma ponte no Uruguai, além de obras entre o Chile e a parte Ocidental da Argentina.
Mas não é apenas a ligação rodoviária que está muito próxima de ocorrer. A conexão ferroviária está até mais adiantada e requer apenas a execução do projeto Mendoza-Los Andes, entre a Argentina e o Chile, para permitir praticamente o trânsito interoceânico por trem. A América Latina Logística (ALL), controlada pelo Grupo GP, já organiza um corredor bioceânico misto na região, com suporte do transporte rodoviário.
Mas com a aquisição dos ativos da Brasil Ferrovias e Novoeste, operadoras ferroviárias que interligam o Centro Oeste brasileiro ao Porto de Santos, a ALL terá reforçada a condição de maior malha brasileira, além de alcançar grande parte do território argentino. A empresa chega a Mendoza, na Argentina. Com obras privadas de ligação da cidade argentina de Mendoza a Los Andes, no Chile, estará também criado o corretor bioceânico no eixo Mercosul-Chile.
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Execução – Para assegurar a conclusão do pacote de obras, o BID vai contar com a ajuda da tecnologia da informação. A direção da instituição multilateral apresentou na semana passada na sede do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) uma ferramenta que dará em tempo real todas as informações sobre o andamento dos empreendimentos. Se houver algum atraso ou algum problema de execução, o gerente local do projeto poderá informar no sistema. Os responsáveis saberão o que ocorre e terão condições de tomar as providências para que o cronograma de obras não seja afetado, disse Mauro Marcondes, funcionário do BID e coordenador da Iirsa.
Se for bem sucedido, o modelo poderá servir de base para outros projetos e empreendimentos na região. Além do sistema, batizado de Sige (Sistema de Informação para Gestão Estratégica), a partir do qual todos os países poderão acompanhar o andamento das obras, o Banco Interamericano de Desenvolvimento se lança nos próximos anos em outras três iniciativas consideradas importantes para se alcançar um maior nível de integração física regional. A Iirsa, desde a criação por iniciativa dos governos em 2000, tem uma carteira de mais de 300 projetos em toda a América do Sul.
O modelo piloto para mensuração dos impactos dos 31 projetos prioritários deverá ser mostrado ainda este ano. A execução de obras que criam finalmente um corredor bioceânico na América do Sul produz efeitos econômicos muito fortes em regiões distantes dos grandes centros, onde o desenvolvimento não chegou. Ainda não sabemos exatamente os impactos, mas isso será demonstrado em breve, disse Levy. Segundo o coordenador, isso ocorrerá ainda neste semestre.
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