Nem câmbio, nem juros altos. O maior empecilho para o crescimento vigoroso da economia brasileira é a falta de investimentos em infra-estrutura. De acordo com estudo da Associação Brasileira de Infra-Estrutura e Indústrias de Base (Abdib), teria de haver um investimento de mais de R$ 230 bilhões em quatro anos para a economia atingir o patamar de crescimento prometido pelo governo, em torno de 5%.
O volume calculado pela Abdib é o montante necessário para revitalizar os setores de energia elétrica (R$ 13,6 bilhões ao ano), petróleo e gás (R$ 25 bilhões), transportes e logística (R$ 7 bilhões ao ano), telecomunicações (R$ 4,9 bilhões ao ano) e saneamento básico (R$ 6,8 bilhões), considerados os gargalos para o desenvolvimento.Para efeito de comparação, vale lembrar que, ao fim de seu mandato, em dezembro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva terá gasto R$ 100 bilhões em programas sociais, e mais de R$ 150 bilhões com pagamento de juros da dívida pública.
“O Brasil tem um déficit de infra-estrutura muito grande. Se crescermos mais de 4% ao ano irá falta energia, estradas para escoar a produção, portos para vender, tudo”, lamentou o diretor do Centro Brasileiro de Infra-Estrutura (CBIE), Adriano Pires. “Só não tivemos problemas ainda porque o País está crescendo muito pouco”, completou.
De acordo com a Abdib, o investimento total em infra-estrutura, em 2005, representou 55% das necessidades, percentual que em 2006 deve ficar em 61%. Na distribuição setorial, no ano passado, o setor de energia recebeu 48% do que era necessário, petróleo e gás, 76%; transporte e logística, 46%; telecomunicações, 55%; e saneamento básico, 28%.
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Em 2005, os investimentos no setor foram de US$ 14,8 bilhões. A Abdib estima que os investimentos em infra-estrutura devem totalizar US$ 17,7 bilhões neste ano, dos quais 68% concentrados nos setores de petróleo e gás e transmissão de energia. Os investimentos também ficaram muito aquém das necessidades em 2003 (US$ 11,07 bilhões) e em 2004 (US$ 12,72 bilhões), muito por conta da falta de marcos regulatórios de saneamento, de gás e morosidade na tramitação dos pedidos de licença ambiental. Nos dois casos, o segmento de petróleo e gás respondeu por praticamente 50% dos recursos.
“Infelizmente, esse governo afastou os investidores privados ao politizar as agências reguladoras e contingenciar seus recursos, não dar agilidade nas parcerias público privadas (PPPs), não ter feito nenhuma privatização de rodovia, e, ao mesmo tempo, não investir”, lamentou Adriano Pires.
PPP
Os projetos de PPPs poderão financiar investimentos de cerca de R$ 15 bilhões no País nos próximos anos, ainda segundo estudo feito pela entidade. As concessionárias de ferrovias, segundo a Abdib, pretendem investir R$ 2,3 bilhões em 2006, valor que supera os R$ 2,1 bilhões de 2005. O foco dos recursos será a recuperação e a conservação de trilhos, além da compra de locomotivas e vagões. Essas projeções não levam em conta as verbas programadas para a construção da Nova Transnordestina, da Norte-Sul e nem os recursos advindos da reestruturação da Brasil Ferrovias.
De acordo com estudos econométricos da Fundação Dom Cabral, a cada R$ 1 bilhão aplicado nessa área resulta em R$ 1 bilhão em poupança para o País em despesas com combustíveis, manutenção de veículos e logística. Tal contenção de gastos desnecessários volta para a economia e agrega ao PIB o equivalente a R$ 500 milhões. A entidade calcula ainda que os investimentos em geral no setor representavam 4% do Produto Interno Bruto (PIB) na década de 1970, caíram para 1,5% na década de 80, minguaram para 1,1% na década de 90 e hoje não passam de 0,3%.
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