Com 23 milhões de toneladas de cargas transportadas e investimentos que passaram R$ 30 milhões, a Ferrovia Tereza Cristina (FTC) , após nove anos de concessão, depende de novos investimentos para expandir a malha e aumentar a movimentação.
Há mais de um século (122 anos), o carvão mineral que abastece as usinas do Complexo Termelétrico Jorge Lacerda (Tractebel), em Capivari de Baixo (SC), ocupa a maior parte dos vagões da ferrovia.
Em 2004, a FTC iniciou o processo de diversificação com o transporte de produtos cerâmicos, que evoluiu até o transporte de contêineres, iniciado este ano. A nova carga ainda representa pouco se comparada ao transporte de carvão mineral, que é de 2,5 milhões de toneladas por ano. A ferrovia tem apenas 164 quilômetros de extensão e está isolada do sistema ferroviário nacional, justifica o diretor presidente, Benony Schmitz Filho.
A Tereza Cristina está sob administração privada desde 1997. Antes, esteve com a Rede Ferroviária Federal (RFFSA) desde 1957. O leilão de privatização foi em novembro de 1996, na Bolsa de Valores do Rio. Os atuais donos, a maioria de São Paulo e do Rio de Janeiro, são as empresas Interfinance Partners, Noblepart Comércio e Participações, Santa Lúcia Agroindústria e Comércio e Administração e Empreendimentos Vasone.
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Nos nove anos de administração privada, a ferrovia e sua subsidiária Transferro Operadora Multimodal já pagaram R$ 18 milhões em impostos. A ferrovia pagou ainda outros R$ 30 milhões pelo arrendamento e concessão do serviço público de transporte ferroviário.
Expansão
Dentre os projetos de expansão da malha ferroviária, o de maior importância para a Tereza Cristina é a interligação ao sistema ferroviário nacional. Desenvolvido em parceria com o Ministério dos Transportes e a Secretaria de Infra-Estrutura de Santa Catarina, o projeto, denominado ferrovia litorânea, é viável e prevê o prolongamento da linha férrea de Imbituba a São Francisco do Sul, interligando os quatro portos catarinenses. Com a implementa-ção desse novo trecho ferroviário, a Ferrovia poderia alcançar, até 2020, uma participação de 34% na matriz do transporte de cargas da Santa Catarina, sem prejuízo ao modal rodoviário existente. Beneficiaria o transporte de cargas do corredor do Litoral, que possui um fluxo de aproximadamente 32 milhões de toneladas transportadas ao ano. Para a Ferrovia Litorânea estima-se que serão necessários cerca de R$ 448 milhões, considerando as obras civis e ações sobre o meio ambiente.
Outro projeto em andamento, é do da implantação da Ferrovia Leste-Oeste (trecho Itajaí-Chapecó, com 509 quilômetros de extensão). Neste caso, os investimentos são de R$ 1,35 bilhão, considerando as obras civis e ações ambientais. De acordo com o estudo, são amplas as possibilidades de viabilidade financeira dos empreendimentos, desde que se estabeleça uma parceria entre o governo e a iniciativa privada, diz Benony Schmitz.
Conforme o projeto, a ampliação do sistema ferroviário em Santa Catarina apresenta uma elevada taxa de retorno social: o consumo de combustível seria reduzido em 10 milhões de litros anuais, em média; a emissão de poluentes cairia e haveria uma economia anual de cerca de R$ 40 milhões; o número de acidentes rodoviários teria a diminuição em 687 vítimas fatais e não-fatais, por ano, com a conseqüente redução de cerca de R$ 13,6 milhões em custos de indenizações, anualmente; e haveria uma redução de R$ 21 milhões nos custos dos materiais perdidos em acidentes.
O empreendimento irá gerar, também, cerca de 130 mil empregos, entre temporários (no período da construção da Ferrovia) e permanentes (no período de operação), considerando os diretos, indiretos e aqueles que se originam por meio do efeito-renda. Em conseqüência, seria gerada uma renda de R$ 12 bilhões ao ano e a incorporação teórica de R$ 480 milhões anuais à renda nacional, a preços atuais; permitindo a arrecadação de tributos da or
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