São Paulo vai ganhar uma linha de transporte exclusivo entre a Estação São Judas do Metrô e o Aeroporto de Congonhas por VLT (veículo leve sobre trilhos) – ou “bonde chique”, como já está sendo chamado no governo do Estado. A construção sairá de uma parceria entre os governos paulista e federal. Serão cerca de 2 quilômetros de trilhos em faixa exclusiva ou mesmo em ruas e avenidas compartilhadas com veículos rodoviários. Os trechos exclusivos servirão para a reurbanização de alguns bairros por onde passará o novo trem. O custo estimado fica entre R$ 90 milhões e pouco mais de R$ 100 milhões.
O VLT São Judas-Congonhas integrará a Linha 1 – Azul do Metrô com o futuro Expresso Aeroporto. Deste modo, um passageiro poderá ir de Cumbica, em Guarulhos, até Congonhas, em cerca 45 minutos, de acordo com o pré-projeto. O governo de São Paulo vai bancar 60% dos custos, enquanto a União arcará com 40%. A parceira já foi definida entre o governador José Serra e o ministro da Defesa, Nelson Jobim. A Empresa Brasileira de Infra-estrutura Aeroportuária (Infraero) e a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) também participarão do projeto.
A Infraero vai bancar R$ 450 milhões para a instalação do Expresso Aeroporto, cujo projeto está orçado em cerca de R$ 1,75 bilhão. Nessa obra também está prevista a participação da iniciativa privada, por intermédio de uma parceria público-privada (PPP). Fará a ligação entre Cumbica e a estação de trens da Luz. A previsão é concluir a licitação do Expresso até abril de 2008, para início imediato das obras. A conclusão está prevista para 2010. Esse deve ser o mesmo prazo para o VLT de Congonhas, que inicialmente tem previsão de valor da passagem similar ao da integração do sistema de transporte metropolitano: R$ 4,20.
Os técnicos da Secretaria Estadual dos Transportes Metropolitanos iniciaram esta semana a elaboração do projeto final do “bonde chique”. Deverão ser feitas algumas desapropriações de imóveis ao longo do percurso. Mas, por enquanto, não está definido o trajeto final. Como o VLT de Paris, chamado de tramway, que funciona em quatro linhas diferentes desde 1992, o paulista deverá percorrer trechos de avenidas ladeado por calçadas gramadas.
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Os quatro ramais dos tramways franceses transportam diariamente cerca de 100 mil passageiros. Em São Paulo ainda não há previsão da demanda. Mas somente o projeto do Expresso Aeroporto prevê inicialmente mais de 20 mil passageiros/dia. Serra visitou na quinta-feira o VLT parisiense. Viajou no T4, linha entre as Estações Bondy e Aulnay-sous-Bois, inaugurada em 18 de novembro de 2006.
CAMPO BELO
Numa segunda etapa, o governo estadual pretende fazer uma ligação da linha do VLT com a Linha 5 – Lilás do Metrô (Capão Redondo-Largo 13), com integração e construção da Estação Campo Belo.
Em janeiro de 2005, quando o prefeito da capital era o atual governador José Serra, o projeto de construção do VLT tinha como destino a Estação Jabaquara do Metrô, também na Linha 1-Azul. Os trilhos do novo trem passariam por um trecho da Avenida Washington Luís e se previa ainda a parceria da Prefeitura.
Antes disso, em 2003, a Prefeitura já havia iniciado o planejamento de construção de um VLT até Congonhas. Naquela época, São Paulo pleiteava ser sede das Olimpíadas de 2012 e o bonde integrava esse projeto. Como a candidatura foi vencida, a proposta acabou abandonada.
INDISPENSÁVEL
Para o arquiteto e urbanista Jorge Wilheim, ex-secretário municipal de Planejamento da capital, “é indispensável que o aeroporto seja atendido por transporte rápido de massa”. “Um veículo leve de superfície, desde que fique em um corredor exclusivo, é uma solução boa. É preciso ter um meio para que se chegue sem automóvel a Congonhas”, afirmou.
Também otimista com o projeto, o urbanista Renato Cymbalista, do Instituto Pólis, afirmou que São Paulo “precisa de um sistema de capacidade mais alta para atender o movimento do
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