O acordo que possibilitará a construção da linha de transporte exclusivo entre a Estação São Judas do Metrô e o Aeroporto de Congonhas, na zona sul de São Paulo, por veículo leve sobre trilhos (VLT), o chamado “bonde chique”, foi fechado entre o Ministério da Defesa, a Secretaria dos Transporte Metropolitanos de São Paulo e a Prefeitura. O ministro Nelson Jobim, o governador José Serra (PSDB) e o prefeito Gilberto Kassab (DEM)acertaram ontem parceria para construção de cerca de 2 quilômetros de trilhos elevados que facilitarão o acesso ao aeroporto.
O custo total do projeto está orçado em R$ 1,2 bilhão, segundo o secretário dos Transportes Metropolitanos, José Luiz Portella. Somente o trecho entre a Estação São Judas e Congonhas é de R$ 200 milhões. “A previsão é de que o VLT comece a funcionar até o fim de 2010”, disse o secretário. Também não foi acertado se o trajeto passará pelo Jardim Aeroporto. A Prefeitura utilizará operações urbanas para financiar sua parte. Por enquanto não há definição de que forma isso ocorrerá. “As obras começam assim que o projeto, a ser contratado, estiver pronto.”
Em 21 de setembro, quando o Estado mostrou a existência de negociações do projeto para construção do VLT Congonhas-São Judas, estava prevista uma tarifa de R$ 4,20, mas isso deverá mudar. “O valor da tarifa ainda vai ser estudado e será definido quando o projeto estiver completo”, disse Portella.
“O interesse do Ministério da Defesa é de que todos os aeroportos paulistas estejam interligados por trilhos”, completou Portella. O VLT São Judas-Congonhas integrará a Linha 1 – Azul do Metrô com o futuro Expresso Aeroporto. Desse modo, um passageiro poderá ir de Cumbica, em Guarulhos, até Congonhas, em 45 minutos, de acordo com o pré-projeto.
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O edital que escolherá as empresas para a construção do Expresso Aeroporto está previsto para ser lançado nas próximas semanas, segundo o secretário. A linha partirá da Estação da Luz, na região central, e utilizará ramais das Linhas F e G da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM), hoje rebatizadas de linhas 13 – Jade, e 14 – Ônix, até Cumbica. O governo federal deverá investir R$ 400 milhões nesse projeto, que será concedido à iniciativa privada para operação.
A Empresa Brasileira de Infra-estrutura Aeroportuária (Infraero) e a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) também participarão do projeto. A Infraero já recebeu autorização do Ministério da Defesa para que ceda parte dos terminais de carga de Cumbica a serem utilizados na construção da estação no Aeroporto Internacional André Franco Montoro, em Guarulhos. Para complementar o anel sobre trilhos entre os três principais aeroportos paulistas, está previsto um trecho entre Viracopos, em Campinas, e o trem-bala (mais informações nesta página), que ligará São Paulo ao Rio.
A segunda etapa do VLT, cujo início de obras ainda não está definido, deverá fazer a ligação com a Linha 5 – Lilás do Metrô (Capão Redondo-Largo 13), com a integração e construção da Estação Campo Belo, e também com acesso à Linha 2 – Verde (Vila Madalena-Alto do Ipiranga). Depois, deve haver ampliação para a Linha 9 – Esmeralda (Osasco-Grajaú), antiga Linha C.
Projeto antigo – O “bonde chique” é uma proposta antiga da Prefeitura. Em 2003, durante a gestão de Marta Suplicy (PT), foi iniciado planejamento de construção de um trecho para VLT até Congonhas. A cidade era candidata a ser sede das Olimpíadas de 2012. O bonde integrava o projeto olímpico, mas, como a candidatura foi derrotada, a proposta acabou abandonada.
Dois anos depois, o assunto voltou à baila. O então prefeito José Serra desengavetou o projeto de construção, que tinha como destino a Estação Jabaquara do Metrô, também na Linha 1 – Azul. A antiga proposta previa a construção de trilhos sobre o chão e tinha a Prefeitura como parceira. O trem passaria por um trecho da Avenida Washington Luís.
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