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Ipea alerta para criação de plano de logística

As obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) não terão os efeitos desejados, de permitir ao Brasil superar a crise, se não forem acompanhadas de um plano eficiente de logística e apoio à inovação nas indústrias, advertiu o diretor de Estudos Setoriais do Ipea, Márcio Wohlers, ao divulgar, ontem, o primeiro número do “Radar-Produção, Tecnologia e Comércio Exterior”.


Baseado numa proposta elaborada pelo economista Josef Barat, do Ipea, Wohler comentou que o país ainda não tem um plano nacional de logística, capaz de permitir o uso mais competitivo da infra-estrutura brasileira, a ser ampliada com o PAC. Barat comenta que, diferentemente do passado, quando a expansão das ferrovias ou das estradas comandou o processo de desenvolvimento, as mudanças na estrutura de produção no Brasil exigem medidas para facilitar o chamado transporte multimodal, com “corredores regionalizados” que competirão entre si pelo transporte de cargas. Isso exigirá novidades como uma maior articulação entre governos federal e estaduais, aponta.


A visão emergencial, de remoção dos gargalos de infraestrutura, terá de ser ligada a uma “visão estratégica”, que leve em conta o processo de ocupação do território nacional, as novas cadeias e arranjos produtivos e as mudanças na economia brasileira e na mundial, recomenda Wohlers.


Apesar das advertências e dos números negativos sobre o impacto das exportações na produção industrial, os economistas do Ipea procuraram dar um tom otimista à análise provocada pelos textos da nova publicação. “Uma queda de 4,4% é alarmante, mas não tanto quanto em países mais dependentes das exportações, como Coreia e Japão”, disse Wohlers, ao lembrar que “a economia brasileira está bem preparada”. O governo não pode, porém, a pretexto da crise, reduzir os investimentos em ciência e tecnologia que terão de compensar as reduções nesses gastos do setor privado, para permitir um aumento de competitividade durante a crise.

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Fonte: Valor Econômico

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