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Transnordestina vai ter que esperar por verbas

Os empreendedores da ferrovia Transnordestina vão ter que aguardar para receber os recursos do Fundo de Desenvolvimento do Nordeste (FDNE), embora eles já estejam disponíveis. Para ocorrer a liberação, a empresa Transnordestina Logística precisaria comprovar que gastou R$ 1,06 bilhão de recursos próprios nas obras que estão em andamento, o que não ocorreu.


O FDNE vai bancar R$ 2,67 bilhões dos R$ 5,34 bilhões necessários para fazer a obra, que prevê a construção de uma ferrovia de 1.728 quilômetros, que vai ligar a cidade de Eliseu Martins, no Piauí, aos portos de Pecém, no Ceará, e Suape. “Quando comprovarem que gastaram os 20% de todo o valor da obra, vamos liberar os recursos do FDNE”, disse o superintendente da Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene), Paulo Fontana.


A reportagem do JC entrou em contato com a empresa Transnordestina Logística, que substituiu a antiga Companhia Ferroviária do Nordeste (CFN), e está à frente da construção da ferrovia para obter mais informações, mas a empresa não informou o quanto gastou até agora nas obras.


Órgãos que fiscalizam as obras informaram que a Transnordestina Logística já empregou R$ 180 milhões de recursos próprios na Transnordestina. Na engenharia financeira da ferrovia, os recursos próprios somam um investimento de R$ 2,09 bilhões, dos quais R$ 1,275 bilhão será bancado pelos acionistas da empresa e R$ 823 milhões sairão do extinto artigo 9º do Fundo de Investimentos do Nordeste (Finor), que permitia a uma empresa destinar uma parte do seu Imposto de Renda a pagar para a implantação de um empreendimento no Nordeste.

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Na ferrovia, os trechos que estão em construção são o de Salgueiro-Missão Velha, no Ceará, que tem uma distância de 96 quilômetros e um custo de R$ 232 milhões e o de Salgueiro-Trindade, com uma extensão de 163 quilômetros e que vai demandar um investimento de R$ 485 milhões. Isso significa que se os dois trechos tivessem sido concluídos, a empresa teria gastado menos do que precisa para receber os recursos do FDNE.


O primeiro trecho iniciado foi o Salgueiro-Missão Velha em junho de 2006. Dele, somente 60 quilômetros estão prontos para receber os lastros, dormentes e trilhos, que é a parte final das obras da ferrovia. Outro problema que também pode contribuir para atrasar mais ainda as obras da ferrovia são as desapropriações. Tomando como exemplo o trecho Salgueiro-Trindade que também está em construção, somente 47 quilômetros (dos 163 quilômetros) estão desapropriados.

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Fonte: Jornal do Commercio (PE)

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