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Chineses vão investir R$ 4 bi na Bahia

O grupo chinês Chongqing Grain Group Corporation Limited Liability Company anunciou ontem investimentos de R$ 4 bilhões para construção de um polo industrial de esmagamento e refino de óleo de soja e de escoamento de produtos a ser instalado em Barreiras, no oeste da Bahia. O anúncio foi feito durante reunião entre executivos da empresa e representantes do governo baiano, realizada em Salvador.


A assinatura do protocolo de intenções para o investimento ficou agendada para abril, em Pequim, durante a próxima reunião dos países que fazem parte do Bric (Brasil, Rússia, Índia e China), com a presença da presidente Dilma Rousseff. A previsão é que as obras comecem em maio. A expectativa é que o polo inicie as operações em 2012, empregando inicialmente, 300 pessoas – a expectativa é que o número de funcionários possa chegar a mil.


Usina. Segundo o acordo, celebrado entre o presidente da empresa, Hu Junlie, representantes de bancos chineses e o secretário de Agricultura, Eduardo Salles, a Chongqing fará três investimentos: uma usina de processamento de soja, com capacidade de esmagamento inicial de 1,5 milhão de toneladas por ano – quase metade da produção anual da Bahia (3,3 milhões de toneladas) -, uma fábrica de fertilizantes e um porto seco, para armazenamento de grãos e integração com a rede de escoamento. “Teremos capacidade inicial de refinar 300 mil toneladas de óleo e armazenar 400 mil toneladas de grãos”, diz Junlie.


Pelo projeto, os produtos serão escoados pela Ferrovia Oeste-Leste, que ligará a região ao litoral sul baiano e está em construção. A exportação será feita pelo Porto Sul, que deve ser instalado em Ilhéus, mas ainda está em fase de estudos.

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O terreno onde o polo será construído, de 100 hectares, foi doado pela Prefeitura de Barreiras e o investimento recebe benefícios fiscais do Programa Desenvolve, do governo estadual.
Desde abril do ano passado, a empresa, ligada ao município de Chongqing, um dos maiores da China, anuncia ter intenção não apenas de beneficiar soja no Brasil, mas também de produzir o grão em larga escala no País.


Chegou a ser noticiado, nos jornais chineses, que o projeto da empresa era adquirir 200 mil hectares de terras na Bahia, um investimento de cerca de R$ 1,5 bilhão, para o plantio da soja. Isso garantiria uma produção estimada de 500 mil toneladas anuais.


De acordo com o secretário Salles, porém, o investimento em terras não foi considerado no acordo. “Pelo contrário: eles pretendem incentivar os produtores locais, fornecendo a eles adubo e defensivos agrícolas”, afirma.


“O investimento na fábrica de fertilizantes tem esse objetivo, de fornecer o insumo aos produtores e garantir sua fidelização, já que a indústria vai demandar muita matéria-prima e há outros grandes beneficiadores de soja atuando no Estado, como as multinacionais Bunge e Cargill”, diz o secretário. “O que eles querem – e precisam – é de regularidade na entrega do produto.” A China importa, anualmente, 40 milhões de toneladas de soja.


Nova etapa. Salles afirma que o acordo encerra dois anos de negociações e sinaliza uma nova etapa na agricultura no Estado. “É o início do processo de agroindustrialização da Bahia, um campo com muito potencial de crescimento”, avalia.


“Temos a segunda maior produção de algodão do País (1,47 milhão de arrobas projetadas para 2011), mas não temos nenhuma indústria têxtil de grande porte; temos a segunda maior produção de laranja (1,2 milhão de toneladas), mas não temos processadoras. Há muito a avançar nesse campo.”

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