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ViaQuatro vai faturar R$ 540 mi por ano

Primeira empresa concessionária de metrô controlada pelo grupo CCR, a ViaQuatro deverá atingir um faturamento estimado em R$ 540 milhões por ano com as tarifas oriundas da operação da Linha 4-Amarela, em São Paulo, quando ela estiver concluída (com previsão para 2014). Mesmo que o valor seja somado às chamadas receitas acessórias – com a exploração de lojas nas estações, à qual a empresa tem direito -, o montante é só uma parte do que pode vir a ser a geração de receita do grupo com este modal.


Embora descarte a atuação em novos projetos por parte da empresa – que tem propósito específico para a Linha 4 – e não comente as estimativas de receita que correm no mercado, o presidente Luís Valença admite que os acionistas têm interesse em novas concessões de metrô no país. Isso pode fazer com que outras empresas semelhantes à ViaQuatro sejam criadas para explorar as oportunidades.


Para Valença, o ‘know-how’ adquirido pela ViaQuatro na operação de metrô é uma vantagem criada pela empresa aos sócios. “Os acionistas têm interesse em novos projetos em metrô. De nossa parte, podemos transferir conhecimento sobre tecnologia e pessoal, inclusive”, explica.


Atualmente, o grupo CCR é o maior acionista da ViaQuatro, com 58% de participação, e tem entre seus principais sócios grandes empreiteiras do país (Andrade Gutierrez, Camargo Corrêa e Odebrecht). O grupo já acumula controle ou participação em 16 empresas. Nove delas são administradoras de concessões rodoviárias.

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Hoje, a única concessão de metrô com participação do grupo CCR é a Linha 4-Amarela, em São Paulo, por meio de um contrato de operação e manutenção com prazo de 30 anos com a ViaQuatro. O portfólio pode aumentar com duas novas concessões atualmente em fase de estudos pela Companhia do Metropolitano de São Paulo (o Metrô), estatal do governo paulista – conforme informou no último mês ao Valor o presidente do Metrô, Sérgio Avelleda. Além disso, as potenciais oportunidades são complementadas por investimentos em estudo para construção de novas linhas em cidades como Curitiba e Fortaleza. Perguntado sobre o interesse do grupo nesses projeto e no trem-bala, Valença dá uma resposta padrão: “Todas as concessões em transportes têm atenção dos acionistas”, diz ele.


Ao todo, o investimento inicial a ser feito pela ViaQuatro na linha que administra, para sua entrada em operação, será de R$ 1,4 bilhão – um montante dividido em duas fases. Na primeira, a ViaQuatro deverá investir R$ 750 milhões, que incluem a entrega de 14 trens da coreana Hyundai (ao todo, estão previstos 29). Com capacidade para transportar cerca de 2 mil passageiros por viagem, permitem passagem livre entre os carros, ligações de celular e acesso à internet sem fio. Os trens operarão sem operadores – o sistema ‘driverless’ permite a operação sem a presença do condutor dentro do trem. Segundo Valença, as velocidades são programadas previamente por uma pessoa com o auxílio de um software – sendo eventualmente reguladas de acordo com a necessidade. Todas as funções são comandadas diretamente do Centro de Controle Operacional (CCO). Além disso, seis estações entrarão em operação ao fim da etapa, quando a linha transportará 750 mil passageiros diariamente. São os pontos Paulista, Faria Lima, Butantã, República, Luz e Pinheiros.


Na segunda fase, outros 15 trens da fabricante serão adquiridas. A previsão é que a etapa de investimentos seja concluída até 2014, com a entrada em funcionamento de mais cinco estações: Higienópolis-Mackenzie, Oscar Freire, Fradique Coutinho, São Paulo-Morumbi e Vila Sônia. Nesta etapa, será aplicado um montante de R$ 650 milhões.


Nas últimas semanas, a empresa anunciou que operará uma linha de ônibus que ligará o município de Taboão da Serra, na Região Metropolitana de São Paulo, à estação Vila Sônia. A previsão é que o serviço já em 2014, ano de inauguração da estação.


Além da CCR, a ViaQuatro tem participação de quatro sociedades. Uma delas é a Montgomery Participações (sociedade brasileira detida por um fundo de investimento em participações administrado pelo Banif, com participação da Odebrecht e voltado a atividades relacionadas a investimento em infraestrutura de transportes e logística).


Há ainda participação da Mitsui Co. (empresa japonesa pertencente ao grupo Mitsui, que atua globalmente nos setores de logística e transporte, dentre outros), da Benito Roggio (sociedade argentina do grupo Roggio, de transporte e concessões de vias) e da RATP (sociedade francesa do grupo RATP, que atua em transporte público de passageiros como operador ou assistente técnico de operações).

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