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ALL tem prejuízo com operações na Argentina

Depois de suas ferrovias na Argentina terem sido as principais responsáveis por seu prejuízo no trimestre, a América Latina Logística (ALL) já classifica seus ativos no país vizinho como não estratégicos e reafirma que está avaliando “algumas” propostas para vendê-los.


Segundo o diretor de relações com o investidor da companhia, Rodrigo Campos, as negociações estão em fase inicial. “Não é segredo que se a gente receber uma proposta pelo ativo na Argentina, a gente consideraria. Não é um ativo estratégico”, disse. Questionado se as propostas recebidas se referem ao controle acionário, Campos disse que “as propostas têm vários desenhos”, afirmando inclusive que há possíveis compradores que já são do ramo ferroviário – embora não tenha dado detalhes.


Ontem, a companhia divulgou prejuízo de R$ 2,4 milhões no primeiro trimestre (frente a um lucro de R$ 500 mil um ano antes), resultado influenciado principalmente pelas operações ferroviárias na Argentina – que registraram perda de R$ 9,8 milhões no período. Segundo a ALL, as novas restrições à importação no país impactaram a movimentação de carga.


Somado ao desempenho na Argentina, a ALL sofreu um efeito sazonal geralmente registrado nos balanços do primeiro trimestre da companhia devido à baixa produção de commodities agrícolas – responsáveis por cerca de 70% do faturamento. “Nesse período, é comum termos ou lucro baixo ou prejuízo”, disse Campos.

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Apesar disso, as operações ferroviárias do Brasil registraram aumento de 6,7% no volume transportado e lucro de R$ 4,6 milhões. Mas não foi o suficiente para tirar do vermelho o segmento de operações ferroviárias no trimestre, que teve prejuízo de R$ 5,2 milhões (313% maior que um ano antes).


Nas outras controladas da ALL, todas em fase inicial, houve resultado azul. A Brado Logística, especializada em movimentação de contêineres, fechou os três meses com lucro de R$ 1,6 milhão – resultado estável na comparação com um ano antes. A Ritmo, voltada a logística por rodovias, teve lucro de R$ 1,2 milhão – expansão de 658%. Nos dois casos, a comparação é pro forma, como se Brado e Ritmo já existissem na época.


Os novos negócios, Ritmo e Brado, junto ao maior volume nos trilhos brasileiros, foram responsáveis por aumentar a receita líquida da companhia em 16,2% na comparação anual, para R$ 768,5 milhões nos três primeiros meses de 2012.


O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) do período de janeiro a março deste ano ficou em R$ 320,8 milhões, com avanço de 6,4% quando comparado com os R$ 301,7 milhões registrados no mesmo intervalo de 2011. Sobre a Vetria Mineração, mais recente companhia criada pela holding, Campos disse que a empresa permanece em fase de certificação das minas de Corumbá, no Mato Grosso do Sul, de onde o minério de ferro será extraído. A partir daí, será buscado um investidor para a companhia – embora já haja apresentações do projeto a interessados do mercado. Segundo ele, a Vetria só continua se tiver a participação de um grande investidor.

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