Bancos e gestores de fundos de investimento enfrentam
dificuldades para convencer grandes investidores estrangeiros a participar da
próxima rodada de leilões de concessão de serviços públicos à iniciativa
privada, anunciada pelo governo em setembro.
A Folha ouviu representantes de seis grandes bancos e quatro
fundos que financiam projetos de infraestrutura no Brasil e em outros países.
Eles aceitaram falar sob a condição de que seus nomes fossem preservados.
Mantendo conversas para atrair cerca de R$ 60 bilhões em investimentos
para o país, eles não conseguiram garantir R$ 10 bilhões até agora.
As notícias estão em todo lugar. Reportagens e entrevistas exclusivas sobre o setor ferroviário, só na RF — desde 1940.
Por R$ 8,42/mês — parcele em 12x sem juros.
Uma dessas instituições, que administra US$ 100 bilhões em
projetos de infraestrutura no mundo, desistiu de fazer captações para um fundo
criado especialmente para os novos leilões no Brasil.
Escritórios de advocacia que assessoram investidores relatam
a mesma dificuldade. Segundo eles, o interesse em conversar sobre investimentos
no Brasil voltou após o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff, mas poucos
chegam a fechar negócios.
O plano de concessões do presidente Michel Temer, chamado
Crescer, foi lançado há um mês e até agora nenhum edital de concorrência foi
lançado. Quando vierem a público, os editais ficarão abertos por cem dias e só
então os leilões serão marcados.
O governo quer resolver antes uma pendência que prejudica os
futuros investimentos. Diversas concessões do governo Dilma tiveram problemas
financeiros e os bancos têm cerca de R$ 5 bilhões de créditos em atraso para
receber das empresas que administram essas concessões.
O governo prepara uma medida provisória que permite a
renegociação dos contratos ou a abertura de novas licitações. Como algumas
empresas que podem ser beneficiadas são investigadas pela Operação Lava Jato, a
medida poderá transmitir sinais negativos para o mercado.
MEDO
Os banqueiros e gestores ouvidos pela Folha dizem que muitos
interessados em projetos no Brasil sentem-se mais seguros investindo em países
como Peru e Colômbia, por considerar as regras e o clima político mais
estáveis.
Para esses investidores, embora o governo atual tente atrair
investimentos de longo prazo, precisa se esforçar mais para criar um ambiente
de negócio livre do “medo”.
Fundos de pensão de funcionários de estatais, que
financiaram grandes projetos como a Sete Brasil e a usina de Belo Monte no
passado, viraram alvo de investigações da Polícia Federal e mudaram suas
políticas, afastando-se da área de infraestrutura.
Principal fonte de financiamento de longo prazo do país, o
BNDES endureceu suas regras e só pretende liberar recursos para projetos com
estrutura de financiamento bem definida, com apoio de bancos privados para
cobrir os riscos da fase de construção dos empreendimentos.
Para cumprir as exigências, os investidores afirmam que
terão de gastar fortunas para enquadrar os projetos, sem a certeza de que o
BNDES aprovará o financiamento.
Com crédito escasso nos bancos privados, esses investidores
acham difícil levantar recursos para financiar os projetos sem taxas de retorno
superiores a 20%, o que assusta os funcionários que lidam com o assunto no
governo.
Taxas de retorno muito altas em geral inviabilizam projetos
de infraestrutura. Elas aumentam os custos para os usuários e acabam levando
órgãos de controle com o Tribunal de Contas da União a impor restrições aos
projetos.
Outro risco é a Lava Jato. Muitos investidores buscam
garantias de que ficarão imunes a cobranças de dívidas e ações judiciais no
futuro se comprarem a participação de empreiteiras nas antigas concessões. Essa
insegurança fez a canadense Brookfield desistir de comprar a parte da
construtora OAS na Invepar, que administra várias concessões.
O que irá à venda
Transportes e
logística
– 4 Aeroportos
– 3 Ferrovias
– 6 Rodovias
– 2 Portos
Energia e petróleo
– 3 Usinas hidrelétricas
– 6 Distribuidoras de energia, campos de petróleo e gás
Saneamento básico
– 3 Empresas estaduais
Leia também:
Concessão de rodovias será prioridade na próxima
rodada de licitações do PPI
Seja o primeiro a comentar