Um ano após dar início a conversas para se desfazer de parte
dos ativos da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), na tentativa de reduzir a
pesada dívida da empresa, Benjamin Steinbruch voltou atrás na decisão. O
empresário, que chegou muito perto de vender um dos seus negócios de logística
mais cobiçados – o terminal de contêineres Sepetiba Tecon, no Rio de Janeiro,
em uma operação avaliada em quase R$ 1,5 bilhão –, aposta agora na busca de um
sócio minoritário para sua divisão de mineração para garantir fôlego financeiro
ao grupo siderúrgico.
Nos últimos tempos, a CSN manteve conversas avançadas com
duas multinacionais – a PSA, de Cingapura, e a francesa CMA CGM – para vender o
terminal de contêineres, que chegou a atrair quase uma dezena de interessados.
Mas, há pouco mais de um mês, Steinbruch comunicou ao Bradesco, que tinha o
mandato de venda de vários negócios do grupo, a desistência da empreitada.
Pressionada por um endividamento da ordem de R$ 32 bilhões,
a siderúrgica anunciou no ano passado que poderia vender, além do terminal,
outros ativos não estratégicos, como fatias da Usiminas e da MRS, negócios de
energia e de cimento, e a fabricante de lata Metalic. E se comprometeu ainda a
fazer o alongamento de suas dívidas. Por fim, conseguiu prorrogar o vencimento
de cerca de R$ 5,1 bilhões (dos quais 95% com a Caixa e Banco do Brasil), que
venceriam entre este ano e 2018 para entre 2020 e 2022.
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Sem a urgência de pagamentos por fazer e com a melhora no
preço do minério de ferro (que só neste ano acumula alta de 70%), Steinbruch
acredita agora, segundo fontes, que a empresa tem fôlego para se levantar sem
precisar se desfazer do controle de seus ativos. Para ele, a companhia estaria
abrindo mão do Sepetiba Tecon por um preço baixo demais. “Ele não quer perder o
controle de nenhuma de suas empresas”, diz uma fonte próxima ao empresário.
A intenção de Steinbruch é buscar um sócio minoritário para
vender entre 20% e 25% da Congonhas Minérios, criada em novembro de 2015, e que
reúne os ativos de mineração do grupo (a mina Casa de Pedra, o terminal Tecar e
uma fatia da ferrovia MRS). A CSN detém 86% da companhia e os 14% restantes
pertencem ao consórcio formado por seus sócios asiáticos na Namisa.
Polêmica. Centralizador, Steinbruch coleciona um longo
histórico de polêmicas em sua trajetória empresarial. Comprou brigas com a
Vale, com os acionistas da Usiminas – a japonesa Nippon e o grupo
ítalo-argentino Ternium/Techint –, com os próprios sócios da Namisa e até com
sua família. Fontes dizem que sua relação com o irmão Ricardo, à frente da
Vicunha, está estremecida, justamente por conta dos rumos da CSN. “Steinbruch é
um empresário competente e que defende o seu negócio. Mas sempre compra uma
briga”, diz outra fonte ligada a ele.
Para Bruno Piagentini, analista da Coinvalores, a CSN teria
de deixar claro qual será sua estratégia para reduzir sua dívida. “Não há
problema em desistir de vender um ativo por considerar o preço baixo ou por
querer buscar um sócio. Mas é preciso sinalizar ao mercado e aos acionistas
quais são os planos do grupo.”
Durante todo esse processo, a companhia, que divulga hoje
seu balanço de resultados do terceiro trimestre, abriu mão apenas do controle
da fabricante de latas Metalic, vendida em agosto por US$ 98 milhões para a
companhia polonesa Can-Pack. Mas só essa venda não dá alívio nenhum ao caixa.
Considerando que as perspectivas são de lenta recuperação para os setores de
siderurgia e de mineração no curto prazo, o ideal seria que a CSN vendesse
ativos de outros setores para gerar caixa. O problema é que os outros segmentos
nos quais a CSN atua, como cimento, por exemplo, não vivem seus melhores
momentos.
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