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Volume de desembolsos do BNDES indica uma recuperação ainda lenta da economia

O desempenho do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico
e Social (BNDES) ainda está longe de indicar retomada pujante da economia. Em
maio, os desembolsos subiram apenas 0,36% frente a abril, para R$ 6,356
bilhões, e ainda ficaram 8,87% abaixo do volume de desembolsos de maio do ano
passado.

As consultas, termômetro do apetite do empresariado pelos
recursos do banco, tiveram resultado bem melhor em relação ao mês anterior, mas
também estão bem abaixo dos volumes de um ano atrás. No mês passado as
consultas à instituição somaram R$ 10,3 bilhões, 62,72% acima de abril, mas
6,51% abaixo do volume de maio do ano passado.

Os dados acumulados dos cinco primeiros meses do ano sugerem
recuperação ainda distante. As consultas recuaram 22% frente a janeiro-maio de
2016, atingindo R$ 37,832 bilhões, enquanto os enquadramentos foram 21% menores
(R$ 33,695 bilhões) e as aprovações recuaram 32%, para R$ 24,291 bilhões. Os
desembolsos caíram 13%, para R$ 27,738 bilhões.

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Esses recuos ocorreram nas comparações com o acumulado em um
período que já estava longe de representar os melhores resultados do banco.
Para efeito de comparação, os desembolsos entre janeiro e maio de 2016 já
haviam apresentado queda de 41,85% na comparação com o volume desembolsado nos
cinco primeiros meses de 2015.

Os dados também mostram que a indústria segue sofrendo no
primeiro semestre. Nos cinco primeiros meses do ano, a indústria viu as
aprovações caírem 59% frente a igual período do ano passado, para R$ 5,614
bilhões, enquanto os desembolsos para o setor recuaram 34% na mesma comparação,
para R$ 5,823 bilhões.

Em termos setoriais, apenas a agropecuária – grande
responsável pela recuperação do PIB no primeiro trimestre – mostra números
razoáveis entre janeiro e maio. As aprovação para as empresas do setor caíram
apenas 1% entre janeiro e maio frente a igual período de 2016, para R$ 6,165
bilhões, enquanto os desembolsos ficaram estáveis (R$ 5,497 bilhões).

A infraestrutura, vista como fundamental para puxar a
recuperação dos demais setores, viu os desembolsos caírem pouco, apenas 1%, nos
cinco primeiros meses do ano, para RS 10,265 bilhões. O problema é que as
aprovações para o setor recuaram 27%, para R$ 7,397 bilhões.

Em comunicado, o BNDES chama a atenção para dados
específicos que, segundo o banco, mostram um panorama de recuperação. Ao citar
as consultas, lembra que, apesar da queda de 22% nos cinco primeiros meses do
ano, “o panorama é diferente quando se analisam alguns setores específicos
da indústria”. Nesse caso, houve incremento nas consultas para celulose e
papel (501%), mecânica (108%), química e petroquímica (295%), alimento e bebida
(54%) e têxtil e vestuário (16%).

O banco também cita o aumento de 22% das consultas para
telecomunicações, o crescimento de 20% para transporte rodoviário e a alta de
5% para energia elétrica.

A instituição ainda chama a atenção para os desembolsos para
a linha BNDES Finame, que em maio somaram R$ 1,5 bilhão, uma alta de 11% frente
a maio do ano passado e o primeiro aumento nessa comparação desde setembro de
2014.

“A Finame constitui um dos primeiros indicadores de
retomada, ao refletir os investimentos de curto prazo em modernização. As
aprovações nesta linha costumam se converter em investimentos na economia
rapidamente, já que a contratação e o desembolso acontecem, em média, em menos
de duas semanas”, diz o comunicado divulgado pelo banco.

No acumulado entre janeiro e maio, no entanto, o desembolso
para a linha BNDES Finame ainda está 6% abaixo de igual período do ano passado,
com R$ 6,9 bilhões.

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