O Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) terá seu teste de fogo a
partir deste sábado, quando será inaugurada a Estação Central, que completa o
traçado previsto para a Linha 2 do bonde moderno. Última estação aberta no
trajeto entre a Rodoviária e a Praça Quinze, ela é considerada estratégica para
o sistema. Vizinha da Central do Brasil e do Terminal Américo Fontenelle, por
onde passam 54 linhas de ônibus intermunicipais, a estação deve ser responsável
pelo aumento no número de usuários do sistema. A previsão é que cerca de 20 mil
novos passageiros embarquem por dia no local, elevando em 40% o movimento das
Linhas 1 e 2, que hoje transportam, juntas, entre 45 mil e 50 mil pessoas por
dia.
A concessionária que administra o bonde — cuja primeira
linha, ligando o Aeroporto Santos Dumont à Rodoviária Novo Rio, foi inaugurada
em junho de 2016 — garante estar preparada para o aumento da demanda. A frota
de 32 trens, com capacidade para 420 passageiros, cada, foi projetada para
receber até 200 mil pessoas por dia, quando o serviço estiver a pleno vapor.
Ainda falta entrar em operação a Linha 3, que ligará a Central ao Aeroporto
Santos Dumont por um trajeto alternativo, e cujas obras estão previstas para
começar em março do ano que vem. Enquanto isso não acontece, estarão em
operação a partir de amanhã nove trens na Linha 1 e outros nove na Linha 2.
FALTA ACERTO COM
MODAIS
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Hoje, a concessionária VLT Carioca diz que não sabe se
alcançará o número de passageiros projetado inicialmente. Novos estudos de
demanda estão em elaboração. Mas, para os usuários, o que vem preocupando é
outro assunto: a falta de integração do VLT com outros modais. O sistema ainda
não opera em conjunto com trens, metrô e ônibus intermunicipais — e a Central
do Brasil é justamente o local onde há grande oferta dos três. Atualmente, a
integração só é possível com linhas de ônibus municipais, através do Bilhete
Único Carioca. O usuário, quando utiliza os dois meios de transporte, paga R$
3,80 — R$ 3,60 pelo ônibus e R$ 0,20 pela viagem no VLT. Se o bonde for usado
sozinho, custa R$ 3,80.
— Ainda estamos negociando com o Estado a integração com os
outros meios de transporte, mas ainda não temos um prazo — diz Paulo Fernando
Mainenti Ferreira, diretor de operações da concessionária VLT Carioca.
Enquanto a integração do VLT com os trens não sai do papel,
o comerciário Alexandre de Souza Cavalcanti, de 32 anos, faz cálculos de como
economizar tempo e dinheiro. Morador do Méier, ele utiliza o trem diariamente
até a Central, pagando R$ 4,20 pela passagem. De lá, ele costuma ir a pé até o
trabalho, numa lanchonete na Avenida Rio Branco. Agora, com o novo trajeto do
VLT, ele está na dúvida se é mais vantajoso continuar pegando o trem e ir
andando até o serviço, ou se é melhor usar a integração ônibus-VLT, por R$
3,80. Apesar de custar menos, essa opção pode significar, segundo ele, mais
tempo de deslocamento por conta do trânsito.
— De trem, eu pago R$ 4,20. A integração do ônibus com o VLT
vai me permitir economizar algum dinheiro no fim do mês. Minha única dúvida é
se vai valer a pena poupar e ficar mais tempo no trânsito. Mas, como entro no
trabalho cedo, pode ser que não esteja tão engarrafado assim — diz Alexandre.
Os passageiros que pegam a Linha 2 são hoje obrigados a
saltar na Saara. Com a abertura da Estação Central, vão conseguir chegar até a
Rodoviária. Ontem, uma equipe do GLOBO acompanhou os preparativos finais para a
abertura do novo ponto de embarque e desembarque e percorreu o trecho com os técnicos
do VLT. Da Praça da República (Estação Saara), a composição atravessa a Avenida
Presidente Vargas e passa nas imediações do Comando Militar do Leste (CML). Da
Central, o trem segue por um antigo túnel ferroviário que, no passado, era
usado para levar carga até o Porto do Rio, e que há anos estava desativado. Em
seguida, atravessa Rua da América (um dos principais acessos ao Morro da
Providência) até chegar à estação da Vila Olímpica da Gamboa. A partir daí, o
trecho é compartilhado com os trens da Linha 1 até chegar à Rodoviária. A
previsão é que a volta completa na Linha 2 seja feita entre 27 e 30 minutos.
Hoje, os deslocamentos na Linha 1 levam 24 minutos.
O novo trecho já vem sendo percorrido pelos bondes em testes
operacionais, sem passageiros, desde o fim de agosto. Agora, como ocorreu
quando outras estações foram abertas, a entrada será gratuita para usuários que
embarcarem na Central. A previsão é que a passagem comece a ser cobrada somente
no fim do ano. Mas é preciso ficar atento: embora o valor não seja cobrado, é
preciso validar o bilhete dentro do VLT ao entrar na estação Central.
Durante os primeiros meses de funcionamento, a operação do
VLT ocorrerá em horário diferenciado no percurso Central-Rodoviária: será das
6h às 20 h. O trecho entre a Central e a Praça 15 terá o mesmo horário do resto
do sistema: vai funcionar das 6 h à meia-noite.
Paulo Fernando Mainenti Ferreira acrescentou que a concessionária
VLT Carioca não está preocupada com um possível aumento no número de calotes
nas viagens com a entrada de novos usuários no sistema. Segundo ele, o
percentual de passageiros que viajam sem pagar chega a no máximo 10% no Rio de
Janeiro enquanto que em algumas cidades da Europa passa dos 40%. A Guarda
Municipal, por sua vez, mantém agentes trabalhando na fiscalização do sistema.
Entre setembro do ano passado e o mesmo mês deste ano, já foram aplicadas 8.970
multas, uma média de 690 por mês. O recorde ocorreu em fevereiro deste ano,
quando 950 usuários foram notificados O valor da multa é de R$ 170. O total
arrecadado até o fim da primeira quinzena de outubro chegou a R$ 337.522,70.
Muitos usuários recorreram da punição ou estão inadimplentes.
LINHA 3 PREVISTA PARA
OPERAR EM 2018
As obras da Linha 3 do VLT, devem sair do papel e serem
concluídas no ano que vem. Com 8,1 quilômetros, e dez estações, o projeto prevê
a abertura de três novas estações ao longo da Rua Visconde de Inhaúma e é
considerado uma obra complexa porque exigirá uma série de mudanças no trânsito
do Centro do Rio durante as intervenções. As outras sete estações ficarão em
percursos coincidentes com as Linhas 1 e 2. Em 2012, quando o projeto foi
lançado, a prefeitura previa que todos os serviços estariam em operação até
junho de 2016. Ao longo do tempo, o cronograma, no entanto, passou por várias
revisões. O traçado original sofreu modificações e foi preciso reduzir o ritmo
das obras para remanejar tubulações de prestadoras de serviço, como Cedae e
Light, e até mesmo por conta de achados de interesse arqueológico, nas imediações
da Sete de Setembro.
Leia também: Estação
do VLT em Jaraguá começa a funcionar em fase de testes na sexta-feira
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