O
empresário David Feffer, neto do fundador do grupo Suzano, Leon Feffer, soube
aproveitar o momento para fazer o negócio mais esperado do setor de celulose e
papel, no Brasil e no mundo, e conseguir o resultado que pretendia. Essa é a
avaliação predominante a respeito da tacada que leva a família Feffer ao
comando de uma companhia com valor estimado em R$ 83 bilhões, resultado da compra
da Fibria pela Suzano.
A
Suzano assume a liderança mundial no ranking dos produtores de celulose de
eucalipto, vinda da quinta posição. Objetivo primordial da transação para os
Feffer era que saíssem como os grandes industriais desse setor, no qual foram
pioneiros. E conseguiram: terão 46,4% do capital após a aquisição de 100% da
Fibria, que será paga 85% em dinheiro e 15% em ações da empresa que controlam.
Apesar
de muitos no mercado terem duvidado, por ser a Suzano menor que seu alvo, a
família Feffer fez a maior aquisição já realizada no mercado de capitais
brasileiro – com Fibria avaliada em R$ 50 bilhões (ações mais dívida líquida) –
com baixa alavancagem financeira e reduzida diluição de controle.
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A diminuição
da fatia dos Feffer na empresa será de apenas 3,6% com a emissão de ações
necessária ao pagamento da operação. Hoje, possuem pouco mais de 51%.
Para
a transação, a empresa fará compromissos de US$ 9,2 bilhões. Mas os exercícios
de preço de celulose para 2018 apontam que sua dívida líquida após o negócio
deve oscilar entre 3,1 e 4,1 vezes o Ebitda consolidado das duas operações, sem
considerar as sinergias. O índice é bem mais confortável que os 7,5 vezes da
criação da Fibria, após a aquisição da endividada Aracruz pós-crise dos
derivativos cambiais de 2008.
Três
fatores determinantes, na avaliação de fontes envolvidas na transação e de
espectadores, tornaram esse resultado possível: a curva da celulose no mercado
global, a migração da Suzano para o Novo Mercado e a presença do BNDES como
sócio de empresas desse setor, que o banco há décadas elegeu como prioritário.
Quando
decidiram levar a Suzano para o Novo Mercado, no fim de julho, com uma
estrutura societária simplificada, as negociações de Feffer e Schalka com
representantes do grupo Votorantim e BNDESPar, donos da Fibria, começaram a
ganhar corpo.
David
Feffer sempre foi visto como um típico controlador brasileiro, centralizador de
poder e valor. Após a reorganização das finanças da Suzano, na gestão de
Schalka, a percepção começou a mudar e a valorização em bolsa continuou com a
adoção de uma estrutura de capital só com ações ordinárias.
Os
primeiros diálogos ocorreram em torno de uma combinação societária de empresas.
Mas não evoluíram. Estava impossível colocar na mesma equação o interesse de
todos: os Feffer no comando, Votorantim em busca de um modelo para monetizar o
ativo o máximo possível; e o desejo da BNDESPar de usar o direito de saída
conjunta. Então, entre o quarto trimestre de 2017 e o começo deste ano, o preço
médio de venda de celulose encorajou a Suzano, assessorada por Itaú BBA e Riza
Capital, a almejar o controle total Fibria.
Às
vésperas do Carnaval no Brasil e do Ano Novo Chinês, a Suzano levou à
Votorantim a primeira proposta de compra, na qual a parcela em dinheiro seria
de R$ 38,3 por ação e o restante em ações da Suzano. Há cerca de dez dias, essa
fatia em dinheiro subiu para R$ 52,50 por papel – e não se alterou mais.
A
corrida final do negócio, após a PE fazer proposta concorrente, deixou evidente
o papel estratégico do BNDES. O banco, dono de 29% da Fibria e 7% da Suzano,
fez sua escolha: combinou a maior venda de ações de sua história, de R$ 8,5
bilhões, com a manutenção de uma fatia relevante, de 11% da Suzano mais Fibria,
e o controle do capital nacional. A proposta sem garantia de recursos deu
segurança para decidir-se pela Suzano.
Aos
61 anos, David imprimiu seu nome na história do grupo, ao lado do avô, fundador
do negócio em 1939, e do pai, Max Feffer, que revolucionou o setor ao investir
em celulose a partir do eucalipto.
– Fonte: http://www.valor.com.br/empresas/5392779/o-momento-certo-para-formar-gigante-global
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