Doria se encontra com chineses das gigantes CREC e CRCC e oferece concessões de rodovia, metrô e ferrovia

O governador de São Paulo, João Doria, fez apresentações no início desta semana dos projetos de concessão à iniciativa privada a diretores dos grupos chineses CERC – China Railway International Group  e da CRCC – China Railway Construction Corporation, que estão entre os maiores do mundo em ferrovias.

O objetivo foi convencer os chineses a participarem de licitações de obras e operação do TIC – Trem Intercidades , com a primeira linha prevista para ligar a capital à Campinas e Americana, no interior do Estado, de metrô e rodovias.

Segundo Doria, o governo quer receber recursos chineses nestes projetos no ano que vem.
“Após a abertura do nosso escritório em Xangai no último mês de agosto, estamos acelerando o processo de entendimento com empresas chinesas com vistas a ampliar fortemente o investimento chinês nestes programas de infraestrutura em São Paulo a partir de 2020”.

O presidente mundial da China Railway International Group (CREC), Gan Baixian, confirmou que há interesse do grupo em alguns projetos paulistas.
“Tive o imenso prazer de me encontrar com o governador de São Paulo para entrarmos em novas negociações focando na infraestrutura deste grande Estado, principalmente nos setores rodoviário e metroviário. Grande parte dos projetos está para ser iniciada a partir do ano que vem se tudo der certo.” – disse o executivo da CREC.

Sobre o grupo CRCC , Doria disse que o conglomerado é um dos grandes candidatos a participar de mais licitações em São Paulo.
“A nossa pauta envolve rodovias, ferrovias, metrô, hidrovias, saneamento, entre outras áreas de atuação que o governo do Estado de São Paulo vai desestatizar” – disse Doria

APETITE ASIÁTICO PELOS TRANSPORTES BRASILEIROS:

Cada vez mais o mercado brasileiro de tecnologia voltada à mobilidade, seja de cargas ou passageiros, tem despertado a atenção de investidores asiáticos.
Veja alguns exemplos:

ÔNIBUS:

Buser deve expandir com capital japonês

Recentemente, no setor de passageiros, o grupo japonês SoftBank, conhecido por injetar bilhões de dólares em startups brasileiras, anunciou investimentos na Buser, uma empresa mineira que detém um aplicativo que possibilita viagens rodoviárias.

Com o aporte, a Buser promete investir R$ 300 milhões nos próximos 12 meses em ações de marketing, desenvolvimento de tecnologia e expansão pelo País.
Desde o início, a atuação da empresa tem dividido opiniões e ainda não é consenso na justiça.

De um lado, a empresa diz que oferece uma nova opção de transporte fazendo a intermediação entre passageiros e companhias de ônibus de fretamento.
De outro lado, as viações de linhas regulares dizem que, na prática, a Buser faz as linhas rodoviárias mais lucrativas por intermédio de empresas de fretamento travando uma concorrência desleal, isso porque, diferentemente das viações, a Buser não é obrigada a transportar gratuidades, pagar taxas de terminais e de agências de regulação (como ANTT, Artesp, Detro, Agerba, etc) e não realiza a viagem se não tiver lotação mínima.

Segundo as empresas, sem todas essas obrigações, fica fácil para a Buser oferecer preços menores.

Em maio o Supremo Tribunal Federal (STF) rejeitou liminar para barrar o serviço, e enquanto o mérito não é julgado a empresa segue operando até definição final. No entanto, a Buser está proibida de operar em Santa Catarina e no Paraná.

No primeiro caso, no início de outubro, por decisão da 3ª Vara Federal de Florianópolis, que concedeu liminar atendendo a pedido do Setpes (Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros de Santa Catarina).

No segundo caso, em 20 de setembro, por decisão liminar da 5ª Vara da Fazenda Pública de Curitiba. A suspensão das atividades da Buser no Estado do Paraná foi uma resposta ao processo movido pelas empresas Viação Garcia e Princesa do Ivaí, responsáveis pelas linhas entre Londrina e Curitiba e Maringá e Curitiba, representadas na ação pela Federação das Empresas de Transporte de Passageiros dos Estados do Paraná e Santa Catarina (Fepasc).

MOBILIDADE LIMPA:

Modelo de ônibus elétrico rodoviário já tem unidades encomendadas
Outra asiática que promete mais investimentos na área de transportes no Brasil é a chinesa BYD, que possui desde 2015 uma planta em Campinas, interior de São Paulo, onde fabrica placas de energia solar e ônibus e caminhões elétricos.

Na última edição do evento de fretamento da Fresp e da ANTTUR, entidades do setor de transportes de passageiros, a empresa apresentou o primeiro ônibus rodoviário elétrico do Brasil.

O anúncio teve cobertura do Diário do Transporte neste final de semana.

A BYD também tem participado de projetos de geração de energia limpa para transporte público, como  na capital paulista.
Os 15 ônibus elétricos entregues recentemente para a Transwolff, empresa que atende a zona Sul de São Paulo, vão contar com geração solar.
Em uma fazenda da BYD, cuja localização ainda vai ser definida, placas de captação de energia solar vão gerar eletricidade e lançá-la no ONS – Operador Nacional do Sistema. Essa energia será convertida em créditos para ser usados no carregamento das baterias destes ônibus.
Como também mostrou o Diário do Transporte, os 15 ônibus começaram a operar em 19 de novembro de 2019.

OPERAÇÕES FERROVIÁRIAS:

Os asiáticos já tinham uma tradição no mercado ferroviário no Brasil, mas com maior predominância no fornecimento de trens e sistemas.
Agora, com as PPPs – Parcerias Público Privadas, o capital asiático deve estar mais presente na operação de trens suburbanos e metrôs.
Nesta segunda-feira, 11 de novembro de 2019, o secretário dos Transportes Metropolitanos do Estado de São Paulo, Alexandre Baldy, anunciou que a concessão da linha 6-Laranja do Metrô deve ficar com a espanhola Acciona.

Mas há outros projetos acompanhados de perto, em especial por japoneses e chineses, como o TIC – Trem Intercidades, que inclui a linha 7 Rubi (Jundiaí – Francisco Morato – Luz e Brás) da CPTM – Companhia Paulista de Trens Metropolitanos , e a concessão das linhas 8-Diamante (Júlio Prestes / Amador Bueno) e 9-Esmeralda (Osasco – Grajaú, com extensão prevista para Varginha, no extremo sul da capital). Ambas também integram a malha da estatal paulista.

Em entrevista ao Diário do Transporte, em 25 de outubro, o presidente da CPTM, Pedro Moro, disse que o processo de formulação do edital de concessão de ambas as linhas está bem adiantado e a audiência pública para a apresentação da concorrência e recebimento de sugestões deve ocorrer no início de 2020.
A linha 8-Diamante (Júlio Prestes / Amador Bueno) tem uma demanda aproximada de 480 mil passageiros por dia e uma estimativa de registar nos próximos anos um crescimento para 530 mil passageiros diários. A extensão da linha é de 41,6 km.

Já a linha 9-Esmeralda (Osasco – Grajaú, com extensão prevista para Varginha, no extremo sul da capital) tem 36 km, contando o trecho até Varginha. A demanda atual é próxima de 575 mil passageiros por dia útil, mas a estimativa é que cresça para 611 mil passageiros.

Um dos cenários estudados pelo Governo do Estado é que a concessão seja de 30 anos, com contraprestação máxima de R$ 397 milhões por ano da concessionária e de R$ 11,5 bilhões ao longo de todo este período.

A concessionária, ainda de acordo com a perspectiva inicial do Estado, deverá ainda ter de investir R$ 3 bilhões em via permanente (renovação dos trilhos), acessibilidade de estações, pátio de manutenção, construção de passarelas, em sistemas de drenagem, construção e reforma de muros, modernização dos sistemas de controles de trens e de energia e implantação de novos equipamentos de manutenção.

Fonte: https://diariodotransporte.com.br/2019/11/20/doria-se-encontra-com-chineses-das-gigantes-crec-e-crcc-e-oferece-concessoes-de-rodovia-metro-e-ferrovia/

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