No topo do Morro do Adeus, em Ramos, alguns moradores se despediam de suas casas. Cenas de pessoas com sofá nas costas pontuavam a paisagem. Ali vai ser construída a mais alta estação do teleférico que cruzará as comunidades no Complexo do Alemão, obra principal do Programa de Aceleração de Crescimento (PAC), com verbas do governo federal em torno de R$ 500 milhões. E o processo de remoção de 31 famílias vem ocorrendo sem qualquer tensão. As casas já começaram a ser destruídas. Mas todos já têm para onde ir.
— Recebi indenização de R$ 19.500 pela minha casa, e comprei outra bem melhor por R$ 23 mil — disse Paulo Domingos, sem tirar o sofá das costas e sem reclamar do gasto a mais.
Um dos operários do PAC, Thiago Franco ajudou a demolir a própria casa. E dele não vinha qualquer lamento: — Minha casa era de estuque e a vendi por R$ 8.900. Comprei outra aqui mesmo no Alemão. De alvenaria.
A obra do teleférico vai tirar as casas de mais de 1.500 famílias. Somando outras obras no Alemão, pelo menos mais mil terão de mudar de lugar. Por isso, serão construídas cerca de 2.600 residências dentro do próprio complexo. Nove famílias do Morro do Adeus foram incluídas no programa Aluguel Social, com as despesas de habitação pagas pelo estado, enquanto suas moradias não ficam prontas. Para diminuir o tempo de espera, as unidades já estão sendo construídas. Elas devem ser terminadas antes da Estação do Morro do Adeus.
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— Essa estação vai estar pronta em dezembro de 2009, e a obra completa do PAC no Complexo do Alemão terá de ser entregue até setembro de 2010 — informou o presidente da Empresa de Obras Públicas do Estado do Rio (Emop), Ícaro Moreno, ressaltando que, por ser a estação com construção mais complicada, a do Morro do Adeus vai ser a primeira a ser feita.
O ponto de partida do teleférico, no entanto, será a Estação de Bonsucesso da Supervia, justamente para beneficiar os passageiros de trens. Daí, o teleférico vai para seu ponto mais alto, o Morro do Adeus (150 metros), percorrendo, na seqüência, os morros da Baiana, do Alemão, do Itararé e da Fazendinha.
— Será também uma forma de integrar as comunidades do complexo à cidade — acrescentou Ícaro Moreno.
O projeto é do arquiteto argentino Jorge Jáuregui, que, em 1994, já fizera um plano de desenvolvimento urbanístico do complexo, a pedido da prefeitura.
Mas a idéia do teleférico surgiu numa viagem do governador Sérgio Cabral à cidade colombiana de Medellín, em 2007, quando ele viu o teleférico da Favela de Santo Domingo, que passou a ser visitada por turistas e a, sobretudo, ter uma melhor acessibilidade para seus moradores.
A viagem do teleférico do Alemão vai durar 19 minutos. É comum, no complexo, pessoas andarem mais de uma hora para ir de uma comunidade à outra. As ruas abaixo do teleférico vão ser alargardas.
Como a tendência do tráfego é melhorar, serviços como o de ambulância e de ônibus escolar devem circular com maior fluidez.
O projeto do Complexo do Alemão, contudo, não se limita ao teleférico. Na Rua Itararé, serão instalados um hospital, uma escola técnica, um centro de referência da juventude e um centro de geração de renda. Jáuregui projetou uma laje que vai atravessar as quatro construções. Ela será coberta e servirá para caminhadas e como espaço de convivência. O espaço como um todo será chamado de Centro Cívico, que ocupará o lugar da antiga fábrica da Poésie, de peças íntimas.
— A atividade econômica ali vai readquirir força — diz Ícaro Moreno.
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