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Projeções indicam queda na compra de vagões

A indústria de vagões, um dos principais fornecedores para as ferrovias de cargas no país, deverá sentir com mais força os efeitos da crise financeira em 2009. Projeções de mercado indicam que as encomendas de vagões ferroviários podem cair entre 50% e 60% no ano que vem na comparação com 2008, quando o mercado brasileiro deve consumir mais de cinco mil unidades. O volume, se confirmado, será 316% acima de 2007. 


Em 2009, com a queda nas encomendas, o setor deve voltar aos patamares de 2003, ano em que a indústria produziu 2,3 mil vagões. Trata-se de um mercado sazonal cuja demanda depende dos pedidos das ferrovias, que aceleraram investimentos desde a privatização mas que agora devem se ressentir com os efeitos da crise financeira. O corte na produção de minério de ferro anunciado pela Companhia Vale do Rio Doce deverá ter impacto negativo sobre o transporte nas concessionárias que atuam em Minas Gerais. 


Procurada para comentar os efeitos do corte da produção de minério sobre as ferrovias que controla, a Vale informou que está renegociando vários contratos com fornecedores. A discussão inclui contratos de serviços e equipamentos ferroviários. A Vale foi uma das empresas que puxou as encomendas em 2008, junto com a MRS Logística.


Vale e MRS acertaram contratos de compra de vagões com o maior fabricante do país, a Amsted Maxion. A MRS encomendou da Amsted Maxion 1,1 mil unidades, dos quais 686 estavam previstos para entrega até dezembro. Uma parte desses vagões, cerca de cem unidades, estaria sendo reprogramada para entrega só no ano que vem. A Vale acertou a compra de mais de 800 vagões, dos quais 300 ainda estão previstos para serem entregues este ano. 

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Ricardo Chuahy, novo presidente da Amsted Maxion, disse que a empresa ainda avalia os efeitos da crise financeira. “Deverá haver redução substancial (nas encomendas de vagões) em 2009”, disse Chuahy, sem entrar em detalhes. Perguntado se as empresas estariam reprogramando as encomendas em função do corte de produção da Vale, ele disse que até o momento a Amsted Maxion mantém o número já anunciado de entregar, em 2008, 4,6 mil vagões. O número não considera, portanto, eventuais adiamentos nas entregas de vagões. 


Rodrigo Vilaça, diretor-executivo da Associação Nacional dos Transportadores Ferroviários (ANTF), disse que em dezembro a entidade deve rever o cenário para 2009. As 11 concessionárias de carga que integram a ANTF previam investir R$ 3 bilhões no ano que vem. Na visão de Vilaça, as encomendas do setor devem ser mais modestas no primeiro semestre de 2009, mas poderão ser retomadas com mais força a partir da segunda metade do ano, sobretudo pela movimentação de commodities agrícolas e minerais. 

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Fonte: Valor Econômico

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