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Perspectivas positivas para o farelo brasileiro

A quebra de produção argentina de soja
nesta safra 2017/18, que se aprofunda a cada nova estimativa de órgãos oficiais
e de consultorias privadas, criou boas oportunidades para a indústria
processadora do grão instalada no Brasil. Já com a demanda por óleo de soja em
alta por causa do aumento da mistura de biodiesel no diesel no país, empresas
como Amaggi e Caramuru, além de multinacionais como ADM, Bunge, Cargill e
Dreyfus – que também estão presentes na Argentina -, encontram nos problemas do
vizinho a chance de aumentar suas exportações de farelo, com margens mais
elevadas, e reduzir os estoques do produto.

Segundo as mais recentes projeções da
Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove), a produção
nacional de farelo de soja deverá crescer 4,1% este ano, para 32,7 milhões de
toneladas, ao passo que as exportações tendem a registrar incremento de 13,3%,
para 16,2 milhões. Como os preços estão em alta, a receita proveniente desses
embarques está estimada pela entidade em praticamente US$ 6 bilhões, 20% a mais
que em 2017.

Nessa equação, a Abiove calcula que os
estoques vão ficar 1,8 milhão de toneladas menores, volume que fatalmente
espremeria ainda mais as margens do processamento do grão para sua produção.
Mas a quebra da Argentina elevou os preços do farelo no mercado internacional e
ampliou as margens da indústria. No Brasil, alguns analistas estimam que a
margem para a produção do derivado esteja em mais de US$ 40 por tonelada, ante
menos de US$ 5 na venda do grão.

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A antecipação do aumento da mistura
obrigatória de biodiesel no diesel de 8% para 10% vinha gerando um excedente
indesejado de farelo – o esmagamento do grão gera, a grosso modo, 20% de óleo e
80% de farelo. O Brasil é o maior exportador de soja em grão do mundo, e está
bem posicionado para atender à crescente demanda da China pela matéria-prima.
Ocorre que os chineses estimularam o aumento do processamento no próprio país,
o que mantém suas importações de óleo e farelo em níveis comportados e
“transfere” ao mercado brasileiro a responsabilidade de dar vazão aos
derivados produzidos por aqui.

Para o óleo, as perspectivas ficaram até
mais otimistas porque, com a retomada do crescimento da economia, a tendência é
que a demanda por diesel aumente, e com mais biodiesel na mistura o derivado da
soja ganhará ainda mais mercado. Para o volume adicional de farelo gerado,
porém, o horizonte era mais nebuloso. Mas como a tendência é que o Brasil seja
mesmo o mais favorecido pela quebra argentina, o cenário mudou. Em levantamento
divulgado no início deste mês, o Departamento de Agricultura dos EUA (USDA)
estimou que os embarques da Argentina vão cair 1,7% em 2017/18, para 30,8
milhões de toneladas, mas analistas dão como certo que esse volume será revisto
para baixo.

Em Mato Grosso, que lidera a produção de
soja no Brasil, o processamento cresceu 10,8% em fevereiro ante o mesmo mês de
2017, para 824,7 mil toneladas. Segundo o Instituto Mato-grossense de Economia
Agropecuária (Imea/Famato), a melhora da margem bruta – que não considera os
custos do processamento – precipitou esse aumento, que poderá ser até maior a
depender do comportamento dos preços.

Tanto no mercado interno quanto no
externo, as cotações do farelo estão atraentes. Segundo Rafael Ribeiro,
analista da Scot Consultoria, no país, a tonelada do farelo subiu de uma média
de R$ 1.115,07, na primeira quinzena de março de 2017, para R$ 1.341,17 em
igual período deste ano. “Os preços deverão cair um pouco com o avanço do
processamento da safra que está sendo colhida, mas ainda tendem a ficar entre
R$ 1.200 e R$ 1.300 a tonelada”, disse. Na bolsa de Chicago, os contratos
futuros de segunda posição de entrega do farelo fecharam ontem a US$ 370,40 a
tonelada, uma valorização acumulada de quase 17% desde o início deste ano.

“Considerando o prêmio no porto [no
Brasil], o mercado externo está pagando mais. Chega a R$ 1.350 a
tonelada”, disse Luiz Fernando Gutierrez Roque, analista da consultoria
Safras & Mercado. Cabe lembrar, no entanto, que os Estados Unidos, onde a
produção de biodiesel é igualmente crescente, também tem que encontrar destinos
para o farelo adicional, e vai disputar mercado palmo a palmo com o Brasil.
Mais uma vez é preciso realçar que as grandes múltis atuam nos EUA, no Brasil e
na Argentina – ADM, Bunge e Cargill têm sedes naquele país.

Os EUA têm maior potencial para ocupar
eventuais espaços deixados pela Argentina no mercado internacional de
farelo”, disse Ana Luiza Lodi, analista da INTL FCStone. Os americanos têm
um parque fabril em geral mais eficiente que o do Brasil, que também encontra
em sua estrutura tributária pouco incentivo para trocar as exportações de soja
em grãos pela de seus derivados.

Segundo ela, 13% de todo o farelo
exportado pela Argentina em 2017 teve como destino o Vietnã. A Indonésia
absorveu 10%, enquanto a fatia da União Europeia foi de 6%. “Um ponto
importante é que o país ainda tem um estoque elevado de soja e pode processar
parte dele para não perder espaço nas exportações de farelo”, lembrou Ana
Luiza. Segundo ela, dados da Bolsa de Rosário indicam que há 10 milhões de
toneladas do grão armazenadas no vizinho.

Na avaliação de Rafael Ribeiro, da Scot,
ainda há incertezas em relação ao tamanho da produção de soja na Argentina.
“Tivemos chuvas e parte da perda ainda poderá ser recuperada. Vemos as
projeções se estabilizando em torno de 42 milhões de toneladas do grão”,
disse ele. Ainda assim, ponderou, essa projeção é 12 milhões de toneladas menor
que a produção da temporada 2016/17.

 

– Fonte: http://www.valor.com.br/agro/5403915/perspectivas-positivas-para-o-farelo-brasileiro

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torno do Plano Safra 2018/19

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